O governo britânico anunciou neste sábado (data) a suspensão de seus planos para a devolução das Ilhas Chagos a Maurício, após críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão impacta um acordo que visava a transferência do arquipélago no Oceano Índico, que abriga uma base militar conjunta do Reino Unido e dos EUA.






O acordo, firmado no ano passado, previa que o Reino Unido manteria o controle da base militar em Diego Garcia por meio de um contrato de arrendamento de 99 anos, com opção de extensão. No entanto, a formalização do pacto dependia da aprovação de Washington, que agora parece incerta.
Repercussão da suspensão do acordo das Ilhas Chagos
Maurício, localizado a cerca de 2.000 quilômetros a sudoeste das ilhas, declarou que continuará buscando meios diplomáticos e legais para concluir o processo de descolonização. O Ministro das Relações Exteriores de Maurício, Dhananjay Ramful, afirmou que o país não medirá esforços para alcançar esse objetivo.
Moradores originários das Ilhas Chagos, muitos dos quais foram deslocados nas décadas de 1960 e 1970 para dar lugar à base militar, expressaram receio em relação ao plano original, temendo perseguições por parte de Maurício. Toby Noskwith, porta-voz do grupo de campanha Povo Indígena Chagossiano, celebrou a suspensão do acordo.
Noskwith descreveu o processo como um “desastre de 18 meses” que deslegitimou e atormentou a população local, e ressaltou que a questão tem sido tratada primariamente como um conflito entre estados, negligenciando o sofrimento dos chagossianos.
Relação entre Reino Unido e EUA sob tensão
A posição de Donald Trump em relação ao acordo das Ilhas Chagos é mais um ponto de atrito na chamada “relação especial” entre o Reino Unido e os Estados Unidos. Críticas anteriores de Trump a aliados da OTAN e sua postura em conflitos internacionais já haviam gerado tensões.
Em janeiro, Trump chegou a classificar a decisão britânica como um “ato de total fraqueza”, sugerindo que China e Rússia poderiam se beneficiar de tal movimento. O Reino Unido, por sua vez, demonstrou relutância em permitir o uso de bases conjuntas para ataques ao Irã, embora tenha justificado o uso de Diego Garcia para “operações defensivas” durante o conflito.
Fonte: Dw