As negociações entre os acionistas da Raízen e seus credores em Nova York, realizadas nesta semana, ainda não indicaram uma disposição clara dos controladores em realizar um aporte maior do que os R$ 4 bilhões anunciados pela empresa. Fontes próximas às discussões afirmam que as conversas ocorreram em tom amistoso.
Os acionistas da Raízen solicitaram que os bancos apresentem uma nova contraproposta, sem alterações na estrutura de capital da companhia. A Raízen, controlada pela Shell e pela Cosan (holding de Rubens Ometto), declarou R$ 65 bilhões em dívidas em seu pedido de recuperação extrajudicial. O objetivo de todos os envolvidos é apresentar um plano de reestruturação consensual à Justiça dentro do prazo legal de 90 dias.
Credores exigem injeção de R$ 10 bilhões
A proposta inicial da Shell prevê um aporte de R$ 3,5 bilhões, somado a R$ 500 milhões de Ometto, sem a participação da Cosan, o que resultaria em diluição. Em contrapartida, os credores demandam uma injeção de capital de R$ 10 bilhões. Embora as conversas tenham avançado, não há sinalização de que o aporte atinja esse valor, mas também não houve uma recusa formal.
O grupo de detentores de dívidas em dólar (bondholders), que representa 70% dos títulos e é composto por 45 fundos de investimento, inclui gestoras como AllianceBernstein, NFS e T. Rowe Price. Esses bondholders possuem US$ 5 bilhões em créditos contra a Raízen, enquanto os bancos detêm outros US$ 5 bilhões e o mercado local, US$ 3 bilhões.
Plano inicial prevê conversão de dívida em ações
O plano inicial das negociações previa, além do aporte de R$ 4 bilhões, a conversão de 45% das dívidas em ações. Os 55% restantes seriam pagos em prazos estendidos: 10 anos para a distribuidora e 13 anos para as usinas. A leitura inicial indicava que acionistas como Shell e Ometto receberiam uma proporção maior de ações ordinárias (ON) da Raízen em comparação com os credores, que converteriam 45% da dívida em units (recibo de ações ON e PN). Essa distribuição poderia conferir maior poder aos acionistas atuais do que aos credores, que investiram cerca de R$ 30 bilhões na empresa.
O plano de partida também estabelece que os acionistas indicarão quatro membros para o conselho de administração, enquanto os credores, três.
A Shell, responsável pelas negociações com os credores, não comentou o assunto.
Fonte: Estadão