O Partido dos Trabalhadores (PT) não apresentará um candidato próprio ao governo do Rio Grande do Sul pela primeira vez desde sua fundação. Sob pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o partido abriu mão de liderar a chapa e agora apoiará a ex-deputada Juliana Brizola, do PDT.


O acordo foi selado após interferência direta de Lula, que condicionou o apoio do PDT à sua campanha à aprovação petista para o nome de Juliana. Após manifestações internas de descontentamento com a decisão vinda do Palácio do Planalto, Edegar Pretto, ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), retirou sua candidatura.
A tendência é que Pretto assuma a vice-presidência na chapa de Juliana Brizola, neta do ex-governador Leonel Brizola. No entanto, o PSOL, que anteriormente apoiava Pretto, manifestou discordância com o acordo com o PDT e ameaça se retirar da aliança.
Em resolução política aprovada na última terça-feira, o PT determinou que a estratégia política no Rio Grande do Sul seja definida em conjunto com o PDT e partidos aliados, sob a liderança de Juliana Brizola. A frente de oposição inclui PDT, PT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede.
“Não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula”, afirma um trecho do documento aprovado pela Executiva Nacional petista.
Dirigentes divergem sobre ‘intervenção’
A decisão gerou críticas de Valter Pomar, dirigente da corrente Articulação de Esquerda e diretor da Fundação Perseu Abramo. Pomar discordou publicamente do ex-ministro José Dirceu, que defendeu a aliança nacional como prioridade.
Dirceu havia divulgado uma nota argumentando que o caso gaúcho não configurava uma intervenção, citando outros estados onde o PT apoiaria candidatos de outros partidos em nome da aliança nacional, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.
“Grave é a desqualificação do debate político e as acusações indevidas, inclusiva contra a pré-candidata do PDT (Juliana Brizola), de violação da democracia partidária por parte daqueles que defendem a aplicação da política nacional ao Rio Grande do Sul”, escreveu Dirceu.
Pomar rebateu o ex-ministro, comparando a situação a uma intervenção ocorrida no PT do Rio de Janeiro em 1998, quando Dirceu presidia o partido. Naquela ocasião, o PT foi pressionado a retirar o candidato Vladimir Palmeira para apoiar a chapa de Lula à Presidência, com Leonel Brizola como vice.
Pretto buscou amenizar a crise após anunciar sua desistência. “Vamos nos apresentar, a partir de agora, como uma frente política, e não individualmente”, declarou. “Somos uma frente política, e um palanque muito importante, e é isso o que continuaremos mobilizando”.
O PT governou o Rio Grande do Sul em períodos anteriores e administrou a Prefeitura de Porto Alegre por 16 anos. Um dos argumentos petistas contra o apoio a Juliana Brizola foi a participação do PDT no governo de Eduardo Leite (PSD), classificado por eles como “neoliberal e de direita”. O partido entregou seus cargos na gestão estadual recentemente.
Eduardo Leite optou por permanecer no Piratini até o fim do mandato, após não ser o escolhido pelo comando do PSD para a sucessão presidencial, que lançou Ronaldo Caiado. Leite agora apoia seu vice, Gabriel Souza (MDB), para o governo gaúcho.
Uma pesquisa de intenção de voto divulgada em março pelo instituto Real Time Big Data indicou Luciano Zucco (PL) na liderança, com 31% das preferências. Juliana Brizola apareceu em segundo, com 24%; Pretto, com 19%; e Gabriel Souza, com 13%.
Fonte: Infomoney