A nova presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Priscila Pamela Santos, 43, identifica semelhanças entre o caso do Banco Master e a Operação Lava Jato, destacando a preocupação com vazamentos seletivos e a exposição pública de processos.




Santos alerta que a publicidade excessiva pode influenciar tribunais e comprometer garantias fundamentais, como a presunção de inocência. “Culpamos determinadas pessoas sem que elas tenham tido direito ao devido processo”, afirma.
Como a primeira mulher negra a liderar o IDDD, fundado em 2000 pelo criminalista Márcio Thomaz Bastos, ela também compartilhou experiências de racismo vividas ao longo de sua trajetória.
Um episódio marcante relatado ocorreu em um táxi, onde o motorista fez um comentário racista após ela discutir política com o marido. A experiência a deixou abalada e a fez vomitar.
Santos compara a situação atual à época da fundação do IDDD, quando Márcio Thomaz Bastos já denunciava transgressões ao direito de defesa. Ela observa que, apesar das expectativas, os desafios para garantir essas prerrogativas se tornaram ainda maiores.
A presidente do IDDD expressa preocupação com a tendência de governos extremistas em usar a segurança pública como justificativa para restringir garantias constitucionais, citando El Salvador como exemplo e alertando para o risco de o Brasil seguir o mesmo caminho.
Ela considera os vazamentos de dados sigilosos, especialmente no caso do Banco Master, como problemáticos e temerários, lembrando que a Lava Jato também foi marcada por vazamentos seletivos que moldaram a opinião pública e pressionaram o Judiciário.
Santos vê paralelos entre o caso Master, a Lava Jato e o mensalão na forma como processos complexos são levados ao palco público, o que, segundo ela, tende a violar garantias processuais.
Assumir a presidência do IDDD é visto por ela como um reconhecimento de seu trabalho e dedicação, além de uma oportunidade para inspirar outras mulheres e advogados negros a buscarem seus objetivos.
Em sua carreira, Santos já enfrentou situações de racismo em ambientes jurídicos, como ser confundida com a acompanhante de clientes brancas. Fora desses ambientes, o episódio no táxi foi o mais impactante.
Seu maior sonho profissional é atuar como advogada criminal, área pela qual se formou e onde se sente realizada, descartando ambições por cargos como juíza ou desembargadora.
RAIO-X | Priscila Pamela Santos, 43
Advogada, mestre em direitos humanos pela USP e especialista em justiça, gênero e direitos humanos das mulheres pela mesma instituição. Possui pós-graduação em direito penal econômico pela FGV Direito SP. Foi presidente da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB-SP e é conselheira estadual suplente da Ordem.
Fonte: UOL