A busca por exemplares de araucária (Araucaria angustifolia) na área urbanizada de São Paulo tornou-se uma tarefa difícil. A árvore, que já formou extensas florestas na região e deu nome a bairros e ao rio Pinheiros, desapareceu quase completamente da cidade devido à extração madeireira, à urbanização e a mudanças climáticas históricas.





A araucária é uma planta icônica, com uma história que remonta a 200 milhões de anos, ao período jurássico. Em sua fase adulta, apresenta um formato de candelabro, podendo atingir de 10 a 35 metros de altura, com exemplares mais antigos superando os 40 metros e vivendo até 800 anos.
Diante do apagamento dessa espécie na paisagem urbana, a artista Cristina Canepa lançou o projeto artístico “Adote uma Araucária”. A iniciativa visa investigar o desaparecimento da árvore e incentivar novos plantios por meio de três frentes: uma caminhada pelo centro da cidade, uma exposição no Espaço Canteiro e a pesquisa “Percepção da Paisagem” nos arredores do ateliê da artista.
O projeto “Adote uma Araucária”
A caminhada inaugural ocorreu em 11 de abril, partindo do Pateo do Collegio, local histórico de fundação de São Paulo e onde relatos indicam a presença da araucária no passado, com destino ao Largo de Pinheiros. Dez artistas participaram com performances e indumentárias artísticas ao longo do percurso, que incluiu a Praça da República e um trajeto de metrô pela linha-4 Amarela.
Exposição e pesquisa
A exposição, com curadoria de Yasmine Ostendorf-RodrÃguez, reúne mais de 15 obras, incluindo um mural cronológico sobre a história da araucária e dois vídeos. A programação também contou com degustações de pinhão e produtos derivados. Paralelamente, a pesquisa “Percepção da Paisagem” busca entender a relação da comunidade com a espécie em áreas próximas ao ateliê da artista.
O legado da araucária
Dados da IUCN indicam que apenas 3% do ecossistema original da araucária sobrevive no continente. Em São Paulo, exemplares podem ser encontrados em regiões como Parelheiros, Marsilac e Serra da Cantareira. A árvore, nativa da América do Sul, também é encontrada na Argentina e no Paraguai, e deu nome à cidade de Curitiba.
Pesquisas com pólen resgatado na cratera da Colônia, em Parelheiros, indicam que uma vasta floresta de araucária cobria o território da atual São Paulo há cerca de 180 mil anos, durante a penúltima glaciação.
Fonte: UOL