Os elos revelados entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro colocam a Procuradoria-Geral da República (PGR) sob pressão para apurar os fatos envolvendo os magistrados nas investigações do Banco Master. A avaliação é de advogados, professores e entidades consultados, que divergem sobre a conduta do órgão até o momento, com críticas à inércia por parte de alguns e defesa da prudência por outros.


Documentos obtidos indicam que ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, viajaram em jatos de empresas ligadas a Vorcaro. Essas revelações se somam a outras, como o contrato milionário entre o escritório da esposa de Moraes e o banco, e mensagens trocadas entre o empresário e o ministro. A sociedade de Toffoli em uma empresa com um fundo ligado a suspeitas no caso também foi exposta.
O papel da PGR e a proximidade com ministros
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, indicado pelo presidente Lula, teve seu mandato renovado e é considerado próximo dos ministros Moraes e Gilmar Mendes. Gonet participou de uma degustação de uísque em Londres com Moraes, Vorcaro e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em 2024. Essa proximidade, segundo o diretor-executivo da Transparência Internacional Brasil, Bruno Brandão, impacta a aparência de imparcialidade da PGR, especialmente diante da inércia em investigar os fatos.
Exigências para investigação de ministros
Rodrigo de Grandis, professor de direito penal e processo penal da FGV Direito SP, explica que a abertura de uma investigação contra autoridades com foro privilegiado exige indícios e elementos probatórios mais qualificados. Pela Constituição, ministros do STF têm foro por prerrogativa de função, e o próprio STF é o tribunal responsável por julgá-los. A lei determina que, ao haver indício de crime por parte de um magistrado, o processo deve ser remetido ao órgão competente para que a investigação prossiga, mas sem autorização do STF, um inquérito contra um ministro não pode ser iniciado.
Análises sobre a atuação da PGR
O criminalista Thúlio Guilherme Nogueira, doutorando em direito processual penal pela USP, afirma que o contexto de elos com Vorcaro evidencia a necessidade de esclarecimento das ligações. Ele discorda que a PGR esteja sendo leniente, argumentando que o órgão, como agente político, deve agir com prudência para evitar o enfraquecimento da instituição, como ocorreu com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot. Antônio José Teixeira Martins, professor de direito penal da UFRJ, concorda que a sequência de notícias pode dar a impressão de falta de implacabilidade, mas não vê falhas evidentes na atuação da Procuradoria até o momento, destacando um cuidado em não ser nem excessivamente persecutório, nem omisso.
Fonte: UOL