A Polícia Federal apura a possibilidade de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ter recebido recursos de desvios ocorridos no INSS. Investigadores analisam movimentações financeiras para determinar se o filho do presidente foi beneficiário final de valores sob suspeita. No entanto, a PF busca evitar uma quebra de sigilo bancário ampla, que poderia ser interpretada como uma devassa.



Os sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha já foram quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da própria PF. Contudo, não houve quebra de sigilo das empresas ligadas ao filho do presidente.
A atuação da PF segue uma linha cautelosa, com investigadores ressaltando que Lulinha ainda não foi indiciado e que as apurações continuam. A corporação solicitou a quebra dos sigilos após coletar informações ao longo do inquérito inicial e em depoimentos.
A investigação centraliza a suspeita de pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil por parte do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, a Lulinha. Um ex-funcionário do lobista relatou em depoimento que Antunes realizava esse pagamento mensalmente e que ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente.
A PF identificou indícios de pagamentos nessa quantia à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A investigação busca confirmar se ela repassou o dinheiro ao filho do presidente ou a terceiros.
A defesa de Lulinha afirma que o filho do presidente não recebeu valores ligados às fraudes no INSS nem participou dos crimes investigados. Segundo seu advogado, a quebra do sigilo bancário dos envolvidos não identificou qualquer vínculo financeiro entre ele e os fatos apurados.
As investigações ocorrem no âmbito da operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de benefícios do INSS. A operação, deflagrada em abril de 2025, investiga um esquema que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.
A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, cobrados por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos.
Fonte: UOL