A guerra, que se esperava durar poucos dias, ultrapassou um mês sem prazo para acabar, revelando diversas consequências inesperadas. Uma delas é que o programa nuclear do Irã parece improvável de ser desmantelado apenas com ações táticas, como o sequestro de reservatórios de urânio enriquecido.
Bombardeios e o assassinato de cientistas e funcionários de Estado também não parecem ser o caminho para desestabilizar o regime teocrático. Pelo contrário, a oposição interna, caso organizada, teve de se retrair diante de inimigos externos poderosos.
A consequência mais imediata foi a disparada nos preços do petróleo e do gás, decorrente do bloqueio do Estreito de Ormuz e do bombardeio de infraestrutura petrolífera. Essa ação desorganizou os fluxos globais de produção e distribuição, algo que os responsáveis pela guerra parecem não ter previsto.
Essa situação beneficiou os Estados Unidos, onde a produção de óleo e gás a partir do craqueamento do xisto (shale oil), com custos acima de US$ 60 por barril, tornou-se viável. O então presidente Trump chegou a sugerir que os EUA supririam a demanda por petróleo, mesmo com o fechamento de Ormuz.
Autoridades de bancos centrais admitem dificuldade em avaliar o impacto da guerra sobre os preços e outros setores da economia global. A expressão mais comum entre analistas e dirigentes é “vivemos uma situação de grande incerteza”.
Ficou evidente que a recomendação de substituir o consumo de combustíveis fósseis por energia limpa não é suficiente. Para consternação dos ambientalistas, o petróleo segue como um insumo vital para a economia mundial.
Isso sugere a necessidade de formar mais estoques reguladores globalmente. A dependência do gás, por sua vez, apresenta um desafio maior devido aos altos custos de armazenamento.
Fonte: Estadão