O Paquistão intensifica suas operações militares na região de fronteira com o Afeganistão, com relatos de bombardeios e ataques de drones em províncias afegãs. Essas ações levantam acusações de que Islamabad estaria buscando criar zonas de influência ao longo da Linha Durand, a controversa fronteira definida durante o período colonial.






Em resposta às alegações, o Paquistão afirma que suas operações visam combater grupos militantes, como o Tehreek-e Taliban Pakistan (TTP), que o país acusa o governo do Talibã no Afeganistão de apoiar. O governo afegão, por sua vez, nega qualquer ligação com os ataques.
Por que o Paquistão combate o regime do Talibã?
A tensão entre os dois países escalou após o Paquistão declarar um estado de “guerra aberta” com o Afeganistão em fevereiro. O país alega que o TTP é responsável por uma série de ataques em seu território. As forças paquistanesas têm realizado bombardeios em áreas de fronteira, incluindo ataques que teriam atingido a capital afegã, Cabul.
Apesar de negociações de paz mediadas por Turquia e Catar, um acordo duradouro ainda não foi alcançado. A situação humanitária nas províncias fronteiriças afegãs, como Paktia, Kunar e Nuristan, é descrita como crítica, com relatos de escassez de alimentos e combustíveis.
Alegações de uma ‘zona de segurança’ paquistanesa
Relatos não confirmados independentemente sugerem a criação de uma zona de segurança de até 32 quilômetros dentro do território afegão. Analistas de segurança indicam que essa medida seria temporária, visando garantir a segurança até que um mecanismo conjunto seja acordado entre os países.
O Paquistão considera a fronteira com o Afeganistão como internacional, e qualquer tentativa de controle territorial seria uma violação do direito internacional. No entanto, a obtenção de informações confiáveis do terreno é dificultada pela instabilidade na região.
O que é a Linha Durand?
A Linha Durand, com cerca de 2.640 quilômetros, atravessa áreas de assentamento de falantes de pashto. No Afeganistão, a demarcação da fronteira é controversa, pois foi acordada com o Império Britânico, mas não com o Paquistão, fundado em 1947. Atualmente, ela funciona como a fronteira internacional entre os dois países.
Civis sofrem nas regiões de fronteira
A violência persistente na região afeta severamente a população civil. Organizações de direitos humanos criticam os ataques aéreos paquistaneses, como o ocorrido em um centro de reabilitação em Cabul, classificando-o como um “ataque ilegal”. O Paquistão, por sua vez, defende suas ações como “ataques aéreos precisos” contra infraestrutura militar.
O Paquistão tem exigido que o governo do Talibã escolha entre o país e o TTP. A continuidade da política de repressão ao TTP dependerá das medidas concretas que o regime afegão tomar. A possibilidade de um acordo político ou de uma nova fase de instabilidade na fronteira permanece incerta.
Fonte: Dw