Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria há 16 anos, alega que o Facebook, da Meta, está favorecendo seu opositor, Péter Magyar, nas pesquisas eleitorais. Orbán, que está cerca de dez pontos percentuais atrás nas pesquisas, busca a reeleição em uma eleição parlamentar decisiva para o país e para a política europeia.

Neste domingo (12), 8,1 milhões de húngaros aptos a votar decidirão se Orbán continuará no poder após gestões marcadas por conservadorismo e mudanças institucionais que conferem contornos de autocracia à Hungria atual.
Segundo Zoltán Kovács, porta-voz do governo, o algoritmo da rede social estaria atuando contra os partidos da situação. Ele afirma que Orbán é tratado como polÃtico, enquanto Magyar é visto apenas como personalidade pública pela plataforma.
A Meta nega qualquer tipo de interferência no pleito e afirma que tais classificações não existem. O Facebook é a rede social mais utilizada na Hungria. Curiosamente, Orbán, com 62 anos, gera pouco mais da metade do engajamento de Magyar, 45, um ex-aliado.
A campanha de Magyar atribui a diferença de desempenho à sua familiaridade com a linguagem das redes sociais e sua estratégia polÃtica centralizada, falando pelo partido e raramente pela imprensa do paÃs, onde cerca de 80% da mÃdia é controlada pelo governo ou por oligarcas próximos a Orbán, segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras.
No mês passado, a campanha de Orbán já havia relatado supostas restrições em sua página no Facebook, após oposições denunciarem conteúdos de seu partido, o Fidesz.
Paralelamente, reportagens investigativas indicam que serviços de inteligência russos estariam trabalhando para a recondução de Orbán, cuja proximidade com Vladimir Putin gera desconforto na União Europeia. A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e os vetos de Orbán a medidas de apoio à Ucrânia tornaram o pleito um desafio para Bruxelas.
Membros do Parlamento Europeu alertaram a Comissão Europeia sobre o risco de manipulação do pleito patrocinada por Moscou. Eles pedem que a Comissão avalie se a competição democrática na Hungria está sendo prejudicada por desinformação, interferência estrangeira e uso indevido de recursos estatais, além da intimidação de jornalistas.
O Kremlin estaria replicando ações hÃbridas já vistas em eleições anteriores no Leste Europeu, como a criação de canais de notÃcias por inteligência artificial e conteúdo viralizado pelo Telegram. O jornal The Washington Post reportou que assessores russos chegaram a recomendar um atentado encenado contra Orbán para reverter a tendência das pesquisas.
A notÃcia sobre explosivos encontrados em um gasoduto na Sérvia também foi vista como uma armação, com a campanha de Orbán buscando resgatar um sentimento nacionalista e acusando Ucrânia e UE de sabotarem a segurança energética húngara.
A UE solicitou explicações ao governo húngaro sobre a transferência de informações sigilosas do Conselho Europeu para a Rússia. A postura mais contida do bloco mudou após a visita de J. D. Vance a Budapeste, onde o vice-presidente americano afirmou que “burocratas de Bruxelas” trabalhavam contra Orbán.
Donald Trump, em tom de campanha, pediu votos para o premiê em sua rede social, Truth Social: “SAIAM E VOTEM EM VIKTOR ORBà N”.
Fonte: UOL