As ações da Oncoclínicas (ONCO3) apresentaram queda após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), que registrou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, o dobro do apurado no mesmo período de 2024. O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, recuou 24% para R$ 238,8 milhões, enquanto a receita líquida caiu 12,6%, totalizando R$ 1,37 bilhão.






As informações, divulgadas com atraso, levantam preocupações sobre a continuidade das operações da companhia, que passa por um processo de reestruturação financeira. O mercado reagiu negativamente, com as ações ONCO3 caindo 5,19% e atingindo a mínima de 10,37% no dia.
Dificuldades financeiras e covenants
Os números do trimestre vieram abaixo das expectativas, impactados pela redução de volumes e pela estratégia de diminuir a exposição a pagadores de menor qualidade. Auditores independentes destacaram o capital de giro negativo de R$ 2,3 bilhões, decorrente do descumprimento de cláusulas contratuais (covenants) em contratos de financiamento. O índice de alavancagem da Oncoclínicas atingiu 4,3 vezes, acima dos limites estabelecidos.
Essa quebra levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo, com credores tendo o direito de exigir o pagamento antecipado. A empresa indicou que essas circunstâncias podem gerar dúvidas significativas sobre sua capacidade de continuar operando, especialmente diante da ausência de geração de fluxo de caixa livre.
Propostas de reestruturação e aportes
A continuidade do negócio depende de apoio externo, incluindo potenciais transações com Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3). O banco JP Morgan rebaixou a recomendação para Underweight (venda), antecipando uma reação negativa às notícias.
O BTG Pactual também reforçou os desafios operacionais, com receita líquida recuando 13% e prejuízo líquido após minoritários de R$ 1,45 bilhão. O banco mantém recomendação Neutra, com preço-alvo de R$ 3, citando a elevada alavancagem e os riscos de execução.
Recentemente, o acionista MAK Capital Fund LP propôs um aporte de R$ 500 milhões, condicionado à destituição do conselho de administração e eleição de novos membros. Paralelamente, a Oncoclínicas negocia com Porto Seguro e Fleury a constituição de uma nova empresa (NewCo), onde aportariam ativos e operações oncológicas. Fleury e Porto investiriam R$ 500 milhões na nova companhia.
A CEO do Fleury mencionou a Oncoclínicas como uma oportunidade, mas ressaltou a disciplina econômico-financeira e a busca por sinergias. A empresa também confirmou o recebimento de uma oferta não vinculante de financiamento da Mak Capital e Lumina, no valor de R$ 100 a R$ 150 milhões, condicionada à cessão de recebíveis e garantias.
Fonte: Moneytimes