A Oncoclínicas (ONCO3) enfrenta desafios financeiros que ameaçam sua continuidade operacional. Recentemente, a Porto Seguro (PSSA3) anunciou o encerramento das negociações para uma potencial operação que visava criar uma nova empresa e prover fôlego financeiro à rede de oncologia. Este movimento segue a desistência do Fleury (FLRY3), que havia se unido à Porto nas discussões.
O BTG Pactual avalia que este desfecho era parcialmente esperado, dada a situação financeira da Oncoclínicas. Segundo a equipe de analistas, a complexidade da transação e a due diligence provavelmente evidenciaram os desafios da companhia. O BTG destaca que a Oncoclínicas violou covenants de dívida no quarto trimestre de 2025 e está com o pagamento do serviço da dívida suspenso. O índice de alavancagem da empresa está em 4,3 vezes, acima dos limites contratuais, o que levou à reclassificação da dívida de longo prazo para o curto prazo.
Os analistas do BTG apontam que a combinação de alto endividamento e potenciais passivos fora do balanço torna difícil para players bem capitalizados, como Fleury e Porto, avançarem com um aumento de capital sob condições de risco-retorno aceitáveis.
Oportunidade para concorrentes
Em decorrência da situação da Oncoclínicas, o BTG vê um cenário favorável para empresas estabelecidas no setor de oncologia, como a Rede D’Or (RDOR3). Desde a intensificação dos desafios operacionais da Oncoclínicas no segundo semestre de 2025, o BTG observa a Rede D’Or capturando maior demanda, especialmente em terapias oncológicas.
Relatos indicam que a Oncoclínicas teria atrasado tratamentos de mais de 6 mil pacientes, possivelmente devido a disrupções no fornecimento de medicamentos decorrentes de suas restrições financeiras. Com o encerramento das negociações com Fleury e Porto, a expectativa é de continuidade dessa tendência, com empresas consolidadas absorvendo a demanda deslocada.
A Oncoclínicas enfrenta um cenário decorrente de uma expansão mal-sucedida. Após o IPO em 2021, a empresa expandiu seu foco de clínicas de diagnóstico e tratamento para uma parte de alta complexidade, incluindo aquisições de hospitais. A falta de expertise na gestão dessas novas áreas impactou os resultados, elevando a alavancagem e o consumo de caixa.
Novas propostas de financiamento
Apesar do encerramento da potencial operação com Porto Seguro e Fleury, a Oncoclínicas ainda tem caminhos em análise. O acionista MAK Capital Fund LP demonstrou interesse em realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões, sujeito a condições.
A empresa também confirmou o recebimento de uma oferta não vinculante de financiamento da Mak Capital Fund LP, Lumina Capital Management e Lumina Fund III GP (conjuntamente “Lumina”) no valor de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões. A proposta envolve a constituição de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) e a cessão de R$ 200 milhões de recebíveis.
A Oncoclínicas informou que a oferta Mak/Lumina apresenta exigências de cessão de recebíveis e garantias inviáveis. A administração está avaliando alternativas para estruturar uma operação viável que permita dar prosseguimento à negociação.
O BTG Pactual mantém uma visão neutra para a Oncoclínicas, considerando o complexo processo de reestruturação com credores e a visibilidade limitada. O banco recomenda exposição a Rede D’Or e OdontoPrev no setor de saúde.
Ação de tutela cautelar
Nesta terça-feira, a Oncoclínicas anunciou o ajuizamento de uma ação de tutela cautelar perante o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A empresa e suas afiliadas pedem a suspensão liminar dos efeitos de cláusulas contratuais que imponham o vencimento antecipado de dívidas e a suspensão da exigibilidade de obrigações financeiras.
A decisão visa criar um ambiente administrativo e financeiro mais organizado e estável para negociação com credores, sem paralisar as atividades ou alterar a condução do negócio. A companhia afirma que permanece operando normalmente e empenhada em manter conversas positivas com seus credores.
Fonte: Moneytimes