A detenção de uma advogada em Cocalzinho de Goiás por suposta difamação gerou repercussão nacional e mobilizou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O episódio ocorreu no dia 15, quando Áricka Rosalia Alves Cunha foi presa em seu escritório após publicar críticas a um despacho de arquivamento de um boletim de ocorrência.
O contexto da detenção
O caso iniciou-se em março, após a profissional solicitar obras de manutenção viária à prefeitura local. Diante de ofensas recebidas em redes sociais, ela registrou um boletim de ocorrência, que foi arquivado provisoriamente pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. A advogada publicou críticas à decisão jurídica, anexando o documento, mas nega ter mencionado o nome da autoridade policial na publicação.
A abordagem no escritório contou com a presença de agentes armados. Além da acusação de difamação, o delegado alegou crimes de desacato, injúria e desobediência. A profissional foi liberada mediante o pagamento de fiança fixada em R$ 10 mil.
Reações institucionais e apuração
A OAB-GO instaurou procedimento interno para investigar possíveis abusos de autoridade e formalizou representações junto ao Ministério Público e à Corregedoria-Geral da Polícia Civil. A entidade busca a nulidade do flagrante, argumentando violação das prerrogativas profissionais.
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás confirmou que o caso está sob análise da Superintendência de Correições e Disciplina. O episódio levanta debates sobre os limites da atuação policial e o respeito às prerrogativas da advocacia, tema que exige atenção constante sobre o funcionamento das instituições e o exercício do poder público.
Fonte: Infomoney