Telefônica: Marc Murtra convoca primeira cúpula de diretores sob sua liderança

Marc Murtra, CEO da Telefônica, convoca primeira cúpula com 450 diretores em Madri para discutir estratégia focada em infraestrutura crítica e segurança.

Marc Murtra, presidente executivo da Telefônica, convocou cerca de 450 diretores de todas as filiais e linhas de negócio da companhia para uma cúpula presencial em Madri, em 22 de abril. Este é o primeiro encontro de alto nível liderado por Murtra desde sua nomeação em janeiro de 2025.

A reunião, que adota um formato comum em multinacionais americanas, também será transmitida via streaming para o restante da organização. Contará com a presença de delegações do Reino Unido, Brasil, Alemanha e Venezuela, além de responsáveis pelas diversas filiais de infraestrutura de fibra na Europa.

Este encontro marca um ponto de inflexão na gestão interna da operadora, distanciando-se do modelo de convenções massivas da gestão anterior. Sob a presidência de José María Álvarez-Pallete, as reuniões anuais de diretores costumavam reunir mais de 1.000 executivos. Essas cúpulas, focadas na transformação para uma “Telco Digital” e na gestão da dívida, deram lugar a uma estrutura mais compacta e focada em mercados estratégicos.

A redução no número de participantes é resultado da política de simplificação corporativa implementada por Murtra. No último ano, a Telefônica acelerou sua saída da maioria dos mercados da Hispano-América, com a venda de subsidiárias na Argentina, Peru, Uruguai, Equador, Colômbia, Chile e México. Atualmente, o grupo apenas aguarda a liquidação ou acordo de saída de seu negócio na Venezuela. Essa desinvestimento permitiu à direção concentrar recursos na Espanha, Alemanha, Reino Unido e Brasil, considerados os pilares do grupo.

Além da saída da Hispano-América, Murtra remodelou a cúpula diretiva das filiais espanhola e alemã, com a nomeação de Borja Ochoa como presidente executivo da Telefônica Espanha e de Santiago Argelich Hesse como novo CEO da Telefônica Deutschland. No mercado britânico, David Melcon foi designado diretor financeiro da Virgin Media O2 após sua passagem pela filial brasileira, onde Christian Gebara permanece como presidente da Vivo. Essas mudanças completam a reconfiguração dos centros operacionais chave.

Contexto financeiro e reestruturação

O contexto financeiro desta cúpula é marcado pelos resultados de 2025, um ano que registrou as segundas maiores perdas na história da Telefônica. Esses prejuízos foram causados principalmente pelo saneamento de ativos na Hispano-América, um movimento contábil necessário para o repliegue estratégico. No entanto, o mercado reagiu positivamente a essa limpeza de balanço, com a cotação da operadora acumulando valorização de cerca de 10% em 2026, impulsionada pela maior visibilidade dos fluxos de caixa e a redução da exposição a moedas voláteis.

Plano estratégico Transform & Grow

Em sua intervenção, Murtra analisará os desafios alcançados desde sua nomeação e os avanços do plano estratégico Transform & Grow (Transformação e Crescimento), apresentado aos investidores em 4 de novembro de 2025. O objetivo do presidente é consolidar a Telefônica como um fornecedor de infraestruturas críticas, eliminando ineficiências de um modelo de expansão multinacional de amplo espectro. O discurso enfatizará a necessidade de rigor financeiro e o cumprimento do guidance operacional para recuperar a liderança no setor europeu.

A última grande cúpula de diretores liderada por José María Álvarez-Pallete ocorreu em 9 de novembro de 2023, para apresentar o Plano GPS (Growth, Profitability and Sustainability). A saída de Álvarez-Pallete em janeiro de 2025 marcou o fim dessa etapa, dando lugar à gestão de Murtra, que priorizou agilidade e flexibilidade financeira.

Fontes próximas à operadora indicam que Murtra compartilhará com sua equipe a visão de uma companhia mais focada e eficiente. A mensagem sobre a redução da pressão estrutural em custos e a superação de decisões difíceis terá vigência durante a cúpula. A direção acredita que uma estrutura de comando mais reduzida facilitará a execução de planos de implantação tecnológica e a integração operacional nos mercados chave.

A convenção também servirá para avaliar o desempenho das novas unidades de negócio. A ausência de diretores das antigas filiais hispano-americanas desloca o foco para a eficiência operacional nos quatro mercados principais. Com o fim da expansão geográfica, a Telefônica inicia uma fase de consolidação onde a rentabilidade por cliente e o controle de custos em mercados desenvolvidos serão as métricas principais.

Murtra também destacará o novo vetor de negócio focado em segurança e defesa, áreas identificadas como fundamentais para a soberania tecnológica da Europa. O presidente da Telefônica pretende posicionar a companhia como parceira de referência para administrações públicas na proteção de infraestruturas críticas. “A conectividade e a cibersegurança são hoje elementos inseparáveis da segurança nacional; nossa tecnologia é um ativo estratégico para a defesa do continente”, afirmou o executivo. Este foco visa captar o aumento do gasto público em digitalização militar e ciberdefesa.

Fonte: Cincodias

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