Ministros do STF e parentes ligados ao caso Banco Master

Investigações apontam elos entre ministros do STF e o Banco Master, envolvendo relações pessoais, profissionais e transações financeiras suspeitas.

Os elos entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master têm marcado a condução do caso na corte. As relações pessoais e profissionais do dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, com membros do tribunal e seus parentes levantaram suspeitas e culminaram na troca da relatoria do processo.

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O escândalo financeiro, que levou à decretação da liquidação do banco em novembro de 2025, envolve a oferta de investimentos com rendimentos acima do praticado pelo mercado. O esquema tinha como objetivo inflar os ativos da instituição e recorria a mecanismos como emissão de títulos falsos.

O processo corre no STF após decisão do ministro Dias Toffoli, então relator do caso. O motivo foi uma negociação imobiliária entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro especial.

Documentos indicam que Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, viajaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele. Dias Toffoli também voou em avião de firma do empresário para ir ao resort Tayayá.

Alexandre de Moraes

O ministro é citado em mensagens vazadas do celular de Vorcaro. Segundo informações, Vorcaro teria perguntado se o ministro tinha alguma novidade e se ele conseguiu bloquear algo na manhã em que foi detido. Alexandre de Moraes teria respondido com mensagens de texto convertidas em imagens com visualização única, mas nega a comunicação.

Pesam contra ele um contrato no valor de R$ 129 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. Documentos indicam que Moraes e sua mulher viajaram em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele entre maio e outubro de 2025.

Arleen

Fundo de investimento que comprou uma parte das cotas da Maridt Participações S.A. no resort Tayayá. O Arleen era administrado pela financeira Reag, investigada na operação Carbono Oculto por suspeita de envolvimento com o PCC.

A ligação com o Master teria origem na teia usada para inflar artificialmente os ativos do banco. As ações da Arleen pertenciam ao fundo Leal, que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Banco Master

Instituição financeira de Daniel Vorcaro liquidada pelo Banco Central após constatação de problemas de liquidez. A fraude é estimada em R$ 12 bilhões.

O rendimento oferecido pelo banco era maior que o de mercado, e os valores captados iam para investimentos pouco rentáveis. O esquema dependia da entrada constante de recursos. Emissões de títulos sem lastro e aumento artificial nos ativos do banco também são operações investigadas pela Polícia Federal.

A relação do Master com instituições financeiras públicas também é focada nas investigações. A tentativa de venda para o BRB (Banco de Brasília) e o uso de dinheiro proveniente de fundos de pensão de servidores em aplicações são os principais pontos.

Consult

Empresa de consultoria tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desses, R$ 281,6 mil foram repassados a Kevin de Carvalho Marques, que também é sócio do filho do fundador da Consult em outro empreendimento.

Daniel Vorcaro

Sócio e presidente do Master, foi preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava embarcar em um voo internacional. Ele seria solto no dia 29 daquele mês, mas foi preso novamente em março de 2026. O ex-banqueiro deve fazer delação.

Dias Toffoli

Ministro do STF e sócio da Maridt, foi o primeiro relator do Master na corte. Sua atuação foi posta sob suspeita após uma série de decisões consideradas incomuns, como o reconhecimento da competência do Supremo para o caso, a convocação de acareação com um diretor do BC, decretação de alto nível de sigilo e a nomeação pelo seu gabinete dos peritos. O ministro chegou a voltar atrás e criticou publicamente o trabalho da Polícia Federal.

Deixou a condução do caso após a PF encaminhar um relatório ao presidente da corte, Edson Fachin, detalhando as transferências financeiras entre a empresa de sua família e os fundos ligados ao Master. A decisão de afastar o então relator foi tomada em reunião secreta com os ministros. Toffoli chegou a se defender no plenário do Supremo, dizendo que “vários magistrados são donos de empresas”.

Conforme indicam documentos obtidos pela Folha, o ministro também voou em um avião de empresa que tinha Vorcaro como sócio em julho de 2025.

Fabiano Zettel

Pastor, cunhado de Vorcaro e ex-diretor do Master. Ele é apontado como principal operador financeiro do ex-banqueiro e aparece em mensagens combinando pagamentos à empresa dos irmãos Toffoli. Zettel também era o principal acionista do fundo dono do Arleen.

Kevin de Carvalho Marques

Filho do ministro Kassio Nunes Marques, tem 25 anos e é advogado. Ele foi subcontratado pela Consult e recebeu 11 parcelas no valor de R$ 25 mil. Ao todo, os repasses a ele somaram R$ 281,6 mil. Kevin é sócio do filho do fundador da Consult, Gabriel Campelo de Carvalho, em uma empresa chamada IPGT (Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária). As companhias têm o mesmo endereço de email.

Em site posteriormente retirado do ar, Kevin afirmava que, com um ano de profissão, possuía mais de 500 clientes e 1.000 casos concluídos. A assessoria informou que a postagem da página era uma versão preliminar.

Kassio Nunes Marques

Antes da designação de Toffoli, a defesa de Vorcaro pediu que Kassio fosse escolhido relator. O argumento usado foi possível relação do caso Master com a Operação Overclean, relatada por ele.

Maridt

Empresa de Toffoli com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli que tinha participações no resort Tayayá. O nome é um acrônimo feito a partir da palavra “Marília”, terra natal da família, e das iniciais de Dias Toffoli.

Por ser uma sociedade anônima, o nome do ministro não aparecia publicamente no quadro societário. Seus irmãos, por serem sócios-administradores, tinham os nomes divulgados nos registros públicos da empresa. Toffoli admitiu sua participação na companhia após a divulgação do relatório da PF.

Assim como no caso do Arleen, a CPI do Crime Organizado havia decretado a quebra de sigilo fiscal da empresa, o que foi revertido por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Viviane Barci de Moraes

Esposa do ministro Alexandre de Moraes e sócia de um escritório que mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Master. Os repasses eram mensais no valor de R$ 3,6 milhões e durariam cerca de três anos. O escopo do contrato era abrangente e não previa a prestação de nenhum serviço em específico.

Após a divulgação da possível conversa entre Moraes e Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro, Viviane falou publicamente sobre o contrato. Segundo a advogada, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, seu escritório realizou 94 reuniões de trabalho, produziu 36 pareceres e mobilizou 15 advogados.

Fonte: UOL

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