O mercado de títulos globais pode apresentar melhora após a trégua entre Estados Unidos e Irã, mas uma recuperação completa do movimento de venda provocado pela guerra é improvável. Mesmo com a paz, os preços da energia e a inflação tendem a permanecer mais altos por mais tempo.


Os EUA e o Irã negociaram um cessar-fogo, com o presidente Donald Trump anunciando uma pausa nos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz como condição. No entanto, novos ataques de Israel ao Líbano e outros atribuídos ao Irã contra alvos regionais levantam dúvidas sobre a viabilidade do acordo.
Os preços do petróleo caíram após a trégua temporária, impulsionando a recuperação de ações e títulos. Contudo, apostas prévias em cortes nas taxas de juros em países como EUA, Reino Unido e Noruega desapareceram. Alguns analistas argumentam que o cessar-fogo pode até aumentar o risco de taxas mais altas, pois a probabilidade de que a escassez de petróleo desacelere o crescimento global diminuiu.
O choque energético evidenciou a inflação, destacando a dificuldade das principais economias em retornar a meta inflacionária nos últimos anos. O FTSE World Government Bond Index registrou queda de mais de 3% em março, a maior queda mensal em um ano e meio.
Inflação Persistente e Juros Elevados
Eventos como o choque no preço do petróleo mudaram a mentalidade sobre a provável próxima ação dos bancos centrais. A inflação tem se mostrado persistentemente alta nos últimos três anos, e a incerteza sobre a segurança energética mantém os preços do petróleo elevados em meio à oferta restrita.
Mais de dois terços dos bancos centrais consideram a geopolítica como o principal risco. Formuladores de política monetária da Índia e da Nova Zelândia mantiveram as taxas de juros inalteradas, mas sinalizaram possíveis altas futuras. O equilíbrio dos riscos mudou, com prováveis diferenças entre o curto e o médio prazo.
Impacto nos Mercados Globais
Os mercados reagiram positivamente ao cessar-fogo, com ações em alta, dólar em queda e futuros do petróleo Brent abaixo de US$100 por barril. Títulos do Tesouro e mercados de títulos na Europa, Reino Unido e Austrália apresentaram forte recuperação.
Analistas esperam que os rendimentos de curto prazo tenham dificuldade para cair significativamente, pois as autoridades monetárias têm pouco espaço para cortar taxas. Futuros dos fundos do Fed indicam uma chance de apenas 50% de um único corte este ano. Os bancos centrais estarão em alerta máximo para que o choque de oferta não alimente expectativas de inflação mais altas, com cortes nas taxas fora de cogitação.
O caminho para taxas mais altas também parece claro no Japão, com o cessar-fogo aliviando preocupações sobre o fornecimento de energia. O Banco do Japão (BOJ) poderá aumentar as taxas em abril, com condições como salários e inflação já atendidas.
Mesmo na China, que luta contra a deflação, bancos de investimento globais estão retirando apostas em cortes de taxas. Há espaço para a recuperação dos títulos, mas com o cessar-fogo reduzindo o risco de recessão global, os formuladores de política monetária preferem uma postura de esperar para ver, com os riscos apontando para cima.
Fonte: Infomoney