O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta segunda-feira (6) que magistrados e homens públicos necessitam de um “grau de contenção a mais” para evitar mal-entendidos e assegurar a credibilidade da Justiça.
Durante um discurso de cerca de 25 minutos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde foi homenageado, Mendonça comprometeu-se a atuar com imparcialidade, integridade e responsabilidade, sem detalhar casos específicos sob sua relatoria no STF, que incluem investigações envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com repercussões políticas.
A cerimônia contou com a presença de autoridades como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Francisco Eduardo Loureiro.
As declarações de Mendonça ocorrem em um contexto de questionamentos sobre a confiança da sociedade no STF, especialmente após revelações sobre ligações de outros ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Relatos indicam transações financeiras e uso de aeronaves particulares entre os ministros e pessoas ligadas ao banqueiro.
Mendonça enfatizou a importância da integridade e de um “grau de recatamento” para a manutenção da credibilidade institucional. “Não estamos imunes a incompreensões. Mas precisamos estar imunes a ações que comprometam de forma substancial, voluntária, consciente, a credibilidade que a sociedade espera de um bom magistrado”, afirmou.
Ele relembrou sua posse no STF, destacando que o cargo confere mais responsabilidade do que poder, alertando para o perigo de confundir essas duas esferas. O ministro também abordou a percepção da imprensa sobre sua proximidade religiosa ou “histórica” com partes em julgamento, reiterando seu compromisso com a imparcialidade: “É não privilegiar amigos, nem perseguir inimigos”.
Em um aceno ao advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para o STF, Mendonça expressou votos de que Messias em breve possa ocupar uma vaga no tribunal. Mendonça, por sua vez, foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A homenagem também teve um forte componente religioso, com o bispo Samuel Ferreira relatando o apoio de Mendonça e considerando sua ascensão ao STF um “desígnio de Deus”. O governador Tarcísio de Freitas descreveu Mendonça como uma “grande esperança” para o Brasil, enfatizando a necessidade de instituições fortes e de um Judiciário exemplar.
Fonte: Estadão