A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que senadores “pensam que são Deus” complicou a relação do governo com o Senado Federal. A fala ocorreu em um momento que antecede a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista, Lula abordou a necessidade de ampliar a governabilidade no Congresso. “Um senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado”, afirmou o presidente.
Sabatinas e Votações no Senado
Para ser efetivado como novo integrante da Corte, Jorge Messias precisa ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Lá, ele necessita de maioria simples dos votos. Caso aprovado, o nome ainda precisa do aval do plenário, que exige maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, pelo menos 41 votos a favor. As duas votações são secretas.
Clima Desfavorável e Articulação Política
A situação de Messias já enfrentava dificuldades, especialmente com a oposição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia outro nome. O Palácio do Planalto aguardou mais de quatro meses para oficializar a indicação, enviada ao Senado no mesmo dia da declaração de Lula.
Senadores da oposição criticaram a fala do presidente. “Ninguém é Deus para estar acima de nada ou das leis”, disse Carlos Portinho (PL-RJ). Parlamentares da base governista admitem que a declaração “não ajuda”, mas defendem que Messias já teria votos suficientes.
Reações e Estratégias
A declaração de Lula foi vista por alguns como uma provocação a Alcolumbre. Interlocutores do presidente do Senado afirmam que ele soube da indicação pela imprensa, apesar de ministros palacianos alegarem que houve comunicação prévia. A avaliação do entorno de Alcolumbre é que o governo cometeu mais uma “trapalhada” ao demorar para oficializar a indicação.
Apesar do clima tenso com Alcolumbre, senadores de centro veem o ambiente para Messias como mais favorável do que no fim do ano passado. Uma reunião entre Lula e integrantes do MDB, incluindo Eduardo Braga e Renan Calheiros, abordou a indicação, com Braga incentivando o presidente a encaminhar o nome ao Senado.
Fonte: G1