Lula critica Flávio Bolsonaro e Caiado sobre terras raras e cita Trump

Presidente Lula critica Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado sobre terras raras e cita Donald Trump. Discute segurança pública e alianças políticas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) durante entrevista ao canal ICL Notícias. Lula acusou Flávio Bolsonaro de defender a venda de terras raras brasileiras aos Estados Unidos e classificou como “vergonha” um acordo firmado por Caiado com uma empresa americana nessa área, que, segundo o presidente, seria de competência da União.

Na avaliação do presidente, é preciso cautela para evitar a entrega de ativos estratégicos e recursos naturais do país. Lula afirmou que o cenário internacional impõe ao Brasil a necessidade de tratar com maior atenção os temas de segurança e defesa, diante de pressões externas e disputas geopolíticas. “Precisamos fortalecer a indústria de defesa, um país do nosso tamanho não pode ficar sem segurança”, disse.

Lula critica declarações sobre terras raras e segurança

Lula mencionou que “qualquer dia alguém resolve invadir a gente, tem um cidadão do mundo que acha que é imperador”, em referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente também avaliou que há uma tentativa de consolidação de um campo político de ultradireita no país, que, segundo ele, representa riscos ao funcionamento das instituições democráticas.

O presidente destacou que a defesa da democracia deve ocupar posição central no debate eleitoral. Ele afirmou que pretende ampliar a discussão pública sobre o tema, ressaltando que o regime democrático envolve não apenas o direito ao voto, mas também a garantia de direitos sociais.

Ministério da Segurança Pública pode ser criado após aprovação de PEC

Na área de segurança pública, Lula afirmou que uma atuação mais direta do governo federal depende da definição clara das competências da União. Segundo ele, é necessário que uma legislação estabeleça esse papel de forma objetiva.

O presidente acrescentou que, com a eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o governo pretende avançar na reorganização da área. De acordo com Lula, a criação de um Ministério da Segurança Pública poderá ser anunciada na semana seguinte à aprovação da medida.

Presidente busca aliança contra “fascistas” e avalia reeleição

Na entrevista, Lula disse ainda que vai pleitear ao PT a reconstrução de uma frente ampla para impedir a volta do bolsonarismo ao Poder Executivo. “Vou pleitear ao PT a necessidade da gente reconstruir uma aliança política forte para a gente não permitir que os fascistas voltem a governar este País”, disse Lula.

Lula disse que dificilmente não será candidato à reeleição, mas evitou dizer que concorrerá antes da convenção do PT, em julho. O presidente afirmou que seu diferencial é ser o político mais experiente do país. “Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem neste País. Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho neste País. Essa é a vantagem de ser longevo”, afirmou.

De acordo com ele, é preciso melhorar a qualidade dos políticos do país, onde, segundo o presidente, há muita “coisa podre”. Lula também afirmou que o crime organizado conseguiu se infiltrar em diversos setores da sociedade, inclusive no setor público.

Lula sobre Trump e interferência eleitoral

Lula também disse que nada com Trump “é impossível”, ao ser questionado sobre possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro. “Pelo que eu tenho visto do Donald Trump nesses anos, nada com ele é impossível”, afirmou Lula.

O petista disse que, desde a redemocratização, sempre esteve entre os dois mais votados nas eleições presidenciais em que disputou. Destacou ainda que, nos pleitos em que não concorreu à Presidência, candidatos de seu grupo político também alcançaram posições de destaque. Segundo Lula, esse histórico demonstra que não haveria possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas.

“Então, ninguém – nem Trump, nem Emmanuel Macron (França), nem Xi Jinping (China) – ninguém neste mundo tem o direito de colocar sob suspeita o processo eleitoral brasileiro. Pelo comportamento da nossa Justiça Eleitoral e pela seriedade das urnas”, continuou o presidente. “Se ele (Trump) fizer, nós vamos dizer que ele está mentindo, que não é verdade.”

Lula classificou que uma eventual interferência de Trump no processo eleitoral do país poderia gerar um enfrentamento político desnecessário. Segundo ele, ao se encontrar com o americano, destacou que ambos, já próximos dos 80 anos, deveriam tratar com seriedade a relação bilateral, que soma mais de dois séculos de diplomacia.

Fonte: Estadão

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