Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como o coordenador operacional de uma estrutura ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, morreu sob custódia da Polícia Federal. Conhecido como “Sicário” nos documentos da PF, Mourão teria recebido entre R$ 24 e R$ 25 milhões em repasses, com valores mensais chegando a R$ 1 milhão, segundo investigações da Operação Compliance Zero.
Mourão não era policial federal ativo, mas sim um operador de campo responsável por tarefas sensíveis como monitoramento de alvos, intimidação e acesso irregular a informações sigilosas. Seu histórico inclui atividades em segurança privada informal, cobrança violenta, fraudes financeiras e associação criminosa.
Ele foi preso em Belo Horizonte no dia 4 de março de 2026. Horas depois, ainda sob custúdia inicial na Superintendência da PF em Minas Gerais, foi encontrado desacordado na cela. A versão oficial é de tentativa de suicídio, com imagens captadas por câmeras e encaminhadas ao STF.
Dúvidas sobre a morte
A morte de Mourão, peça central do esquema e com acesso direto a pagamentos e informações estratégicas, levanta questionamentos. A decisão de um “silêncio definitivo” logo no primeiro dia de prisão soa improvável para observadores, especialmente considerando o potencial de colaboração premiada.
O contexto da custúdia amplifica as dúvidas. A morte ocorreu dentro de uma unidade da Polícia Federal, sob vigilância constante. O intervalo até o atendimento levanta questões sobre a suficiência dos protocolos para um preso de alto valor investigativo.
Impacto nas investigações
Com a eliminação física de Mourão, desaparece um elo operacional vivo, um “arquivo humano” que poderia detalhar o funcionamento da estrutura, os repasses milionários e as ligações entre os níveis da organização. Depoimentos diretos são insubstituíveis e podem enfraquecer a consolidação de provas contra os demais envolvidos.
As autoridades sustentam que há registros completos, laudos e imagens que respaldam a conclusão de suicídio. No entanto, esses elementos não foram tornados públicos de forma integral, limitando a verificação independente.
Perguntas em aberto
O caso do Banco Master segue em andamento, com Daniel Vorcaro preso e outras frentes da Operação Compliance Zero ativas. Contudo, o principal operador de campo não poderá ser ouvido.
As perguntas que permanecem são:
- O monitoramento das celas foi suficiente para impedir ou detectar imediatamente uma tentativa de suicídio?
- O tempo de resposta ao incidente foi adequado para um preso de tal relevância?
- A atitude de Mourão é compatível com o perfil de um operador experiente que enfrentava prisão, mas também tinha muito a oferecer em uma eventual delação?
- O inq uérito interno da PF terá independência e alcance para esclarecer todos os pontos ou ficará circunscrito à versão institucional?
Enquanto não houver respostas transparentes e acessíveis, o caso não se fecha pela falta de elementos que permitam a verificação independente da versão oficial.
Fonte: Estadão