O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, de tentar proteger seu antecessor, Roberto Campos Neto, em meio às investigações sobre fraudes no Banco Master, liquidado pela autoridade monetária em novembro passado.
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Em publicação na rede social X, Lindbergh Farias afirmou que a declaração de Galípolo de que não há auditoria ou sindicância apontando responsabilidade de Campos Neto demonstra um controle interno insuficiente. Segundo o deputado, isso pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando omissões favoreceram o ambiente para o caso Master prosperar.
Durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Galípolo foi questionado sobre a suposta responsabilidade de Campos Neto no escândalo. O atual presidente do BC respondeu que não há processos internos que encontrem culpa do ex-presidente.
Lindbergh Farias argumentou que, se dependesse apenas das auditorias internas do BC, servidores indicados por Campos Neto e que colaboraram com as fraudes não estariam sob investigação. Ele mencionou que Roberto Campos Neto recebeu alertas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), da Febraban e questionamentos da Polícia Federal, mas a resposta institucional foi de apuração preliminar e preservação da cúpula.
O deputado petista também destacou que, na gestão de Campos Neto em outubro de 2023, foi editada norma sobre precatórios que permitiu ao Banco Master não ajustar seu balanço, evitando intervenção apesar de alertas sobre riscos de liquidez. Ele ressaltou que a investigação que rompeu essa blindagem veio de fora, com independência e poder de polícia.
Em um evento em São Paulo, Galípolo afirmou que a autonomia do BC implica ter coragem de apontar falhas internas e cortar na carne, independentemente de relações pessoais. O Valor entrou em contato com o Banco Central e com Campos Neto para obter posicionamento sobre as acusações.
Fonte: Globo