A Levi Strauss registrou um novo trimestre de fortes vendas, impulsionado em parte por preços mais altos. As vendas diretas ao consumidor (DTC) representaram mais da metade da receita total, um marco para a empresa que historicamente dependia de atacadistas.
A receita da fabricante de jeans cresceu 14%, enquanto as vendas DTC, através das lojas e do site da Levi’s, aumentaram 16%, elevando o total para 52% da receita geral. A CEO Michelle Gass afirmou que a expectativa é que a receita DTC permaneça acima de 50% ao longo do ano, mesmo com o crescimento contínuo do canal atacadista.
Crescimento impulsionado por preços e câmbio
O crescimento não se deve apenas ao aumento do volume de vendas. A Levi’s se beneficia de preços mais elevados e de ventos favoráveis no câmbio. O diretor financeiro Harmit Singh, que anunciou sua aposentadoria, informou que cerca de metade do crescimento da empresa está relacionado a aumentos recentes de preços e a outra metade ao volume de unidades vendidas.
Levi Strauss eleva projeções para o ano
Com o desempenho positivo no primeiro trimestre, a Levi Strauss elevou suas projeções. A empresa agora espera que o lucro por ação ajustado para o ano inteiro fique entre US$ 1,42 e US$ 1,48, ligeiramente abaixo das expectativas de US$ 1,47 por ação. As vendas devem crescer entre 5,5% e 6,5%, superando as estimativas de 5,6%.
O lucro líquido reportado para o trimestre encerrado em 1º de março foi de US$ 175,8 milhões, ou US$ 0,45 por ação, comparado a US$ 135 milhões, ou US$ 0,34 por ação, no ano anterior. As vendas subiram para US$ 1,74 bilhão, um aumento de cerca de 14% em relação aos US$ 1,53 bilhão do ano anterior.
Estratégia DTC e impacto das tarifas
A estratégia DTC da Levi’s, embora gere margens maiores, também implicou custos mais altos no curto prazo devido à mudança no sistema de distribuição, o que pesou sobre os lucros. No entanto, Singh destacou que as vendas estão se tornando mais lucrativas à medida que o DTC escala.
A empresa também considera o impacto de tarifas. Atualmente, a Levi’s assume uma tarifa global de 20%. Caso a taxa de importação para os EUA permaneça em 10%, isso poderia aumentar o lucro anual em US$ 35 milhões, ou US$ 0,07 por ação. A empresa também pode receber um reembolso de até US$ 80 milhões após decisões judiciais sobre políticas tarifárias anteriores.
Apesar de potenciais impactos positivos, a Levi’s pode enfrentar vendas mais fracas devido ao aumento dos preços da gasolina e à possível redução de gastos em itens não essenciais, como roupas novas. Gass afirmou que ainda não observou uma retração nos gastos e que a empresa atinge uma ampla gama de demografias de consumidores. A marca de valor Signature teve um aumento de 16% nas vendas, a linha de mercado intermediário Red Cap cresceu 9%, e a linha premium Blue Tab também está em expansão.

Fonte: Cnbc