A Lego demonstrou uma compreensão aguçada do timing ao lançar coleções temáticas da Copa do Mundo com jogadores como Vinícius Júnior e Lionel Messi. A estratégia da empresa foi antecipar a conversa global sobre o evento esportivo, posicionando-se antes mesmo do início das competições. Essa abordagem visa capturar a atenção no momento em que ela está sendo formada, em vez de apenas vender produtos durante o pico de audiência.
A lição extraída é que as maiores oportunidades frequentemente residem em movimentos culturais emergentes, não apenas em mercados saturados. Empresas que entram cedo em tendências relevantes podem experimentar crescimento significativo, enquanto aquelas que demoram a reagir correm o risco de perder espaço, mesmo com produtos tecnicamente superiores. Isso sugere a necessidade de uma visão estratégica antecipada por parte da liderança e de equipes de marketing eficientes.
Economia paralela da Copa do Mundo
A Fifa gera bilhões em receita não apenas durante o torneio, mas também nos anos que antecedem o evento. Atividades como licenciamento, patrocínio e direitos de imagem compõem uma economia paralela que sustenta o espetáculo. O jogo econômico da Copa, portanto, começa antes do jogo esportivo. Empresas que compreendem essa dinâmica focam em relevância cultural, em vez de apenas disputar espaço publicitário.
Conexão com símbolos universais
Marcas que conectam seus produtos a símbolos universais, como o futebol, ativam um nível de engajamento que transcende a lógica de consumo. A Lego, ao vender não apenas blocos, mas também narrativa, memória e pertencimento, cria um valor duradouro. Essa conexão com a identidade do consumidor explica por que certos produtos mantêm seu valor em mercados competitivos, com o significado superando o material.
O legado da Air Jordan
Um exemplo notório dessa estratégia é a parceria entre a Nike e Michael Jordan, que resultou na linha Air Jordan. Phil Knight, cofundador da Nike, reconheceu o potencial de misturar produto, cultura e identidade no esporte. A Air Jordan gerou mais de US$ 6 bilhões em 2023, um faturamento que se originou de uma construção cultural iniciada décadas atrás. Isso demonstra que o valor percebido coletivamente é um ativo crucial no mercado atual.
Timing e espaço mental
No ambiente corporativo, o conceito de antecipação é conhecido como timing. A Lego não apenas lançou um produto, mas leu o contexto e se posicionou estrategicamente antes da saturação do mercado. Empresas modernas competem por espaço mental, e a primeira a ocupá-lo constrói uma vantagem competitiva difícil de replicar. A atenção, um dos ativos mais escassos da economia, é disputada em escala global por marcas que se inserem em momentos culturais significativos.
Fonte: Estadão