Um tribunal em Paris condenou nesta segunda-feira o ex-CEO da Lafarge, Bruno Lafont, e outros oito ex-funcionários por financiar o terrorismo na Síria. Lafont foi sentenciado a seis anos de prisão e a empresa foi multada em 1,125 milhão de euros.

Sete outros funcionários também foram considerados culpados de acusações de terrorismo. Os juízes determinaram que a maior fabricante de cimento do mundo, a Lafarge, repassou cerca de 5,6 milhões de euros a grupos como o Estado Islâmico (EI) e a Frente Nusra para manter suas operações no país.
“Esses pagamentos tomaram a forma de uma genuína parceria comercial com o Estado Islâmico”, declarou a juíza presidente Isabelle Prevost-Desprez.
Por que a Lafarge esteve envolvida na Síria?
A Lafarge, subsidiária do conglomerado suíço Holcim, é um player importante na indústria da construção global. Em 2010, a empresa investiu 680 milhões de euros em uma fábrica na Síria, um ano antes do início da Guerra Civil no país.
Embora a maioria das multinacionais tenha deixado a Síria por volta de 2012, a Lafarge apenas retirou seus funcionários expatriados, mantendo sua força de trabalho síria no local. Antes do caso francês, a empresa já havia se declarado culpada em um processo nos Estados Unidos por financiar o EI e a Frente Nusra entre 2013 e 2015, permitindo que sua planta em Jalabiya continuasse operando.
Na época, era amplamente conhecido que os grupos envolvidos praticavam tortura, escravidão e assassinatos em massa nas regiões que ocupavam, o que por vezes incluía a planta da Lafarge. O caso marcou a primeira vez na França que uma empresa inteira foi julgada por financiar o terrorismo.
Fonte: Dw