A curva de juros futuros registrou forte queda, impulsionada pelo alívio nas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela melhora no sentimento em relação ao choque inflacionário decorrente da escalada recente dos preços do petróleo.






A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 13,925%, uma queda de 22 pontos-base em relação ao ajuste anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 13,345%, com recuo de 33,5 pontos-base. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,600%, ante 13,795% do fechamento anterior.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries) também registraram baixas. O yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, terminou a 3,792%, enquanto o retorno do título de dez anos caiu a 4,295%.
Juros no Brasil e nos EUA
Com o cenário de maior apetite por risco, a curva brasileira passou a precificar um corte de 50 pontos-base na taxa básica de juros, a Selic, na próxima decisão do Banco Central. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano, mas o corte de 25 pontos-base continua sendo a aposta majoritária.
A probabilidade de um corte de 50 pontos-base na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) era de 40% pela manhã, segundo o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno. A probabilidade de uma redução menor, de 25 pontos-base, era de 60%. No dia anterior, a precificação era de 92% de probabilidade de corte de 25 pontos-base.
Para o final de 2026, a curva reduziu a projeção da Selic de 13,70% para 13,19%. Durante evento promovido pelo Bradesco BBI, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, mencionou o forte movimento de retirada de prêmios da curva brasileira e o elevado nível de incerteza.
Cessar-fogo no Oriente Médio
Os investidores reduziram os prêmios de risco geopolítico com o cessar-fogo no Oriente Médio e a expectativa de um acordo de paz. Os contratos futuros do Brent, referência para o mercado global, recuaram mais de 13%, com o barril negociado a US$ 94,75.
Em reação, o mercado adiantou a precificação da retomada do início do afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed). Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os traders veem 54,1% de chance de o Fed cortar os juros a partir de julho do próximo ano. Na véspera, a aposta estava dividida entre setembro e outubro de 2027.
Fonte: Moneytimes