Jorge Messias: Indicado ao STF busca aproximação com evangélicos e se diz ‘pacificador’

Jorge Messias, indicado por Lula ao STF, busca aproximação com evangélicos e se diz ‘pacificador’. Saiba mais sobre sua trajetória e os desafios no Senado.

Jorge Rodrigo Araújo Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), busca construir pontes com o eleitorado evangélico e se apresenta como uma figura “terrivelmente pacificador”. Messias, que é titular da Advocacia-Geral da União (AGU), enviou uma carta aos senadores defendendo a separação dos Poderes e o respeito institucional.

A indicação de Messias ao STF foi formalizada pelo presidente Lula após mais de quatro meses do anúncio inicial. Durante esse período, o governo trabalhou para criar um ambiente favorável à sua aprovação no Senado, onde ele enfrentará resistências.

O resgate de um nome e a ligação com o passado

Messias já expressou gratidão a Lula por ter “resgatado o seu nome”, referindo-se a um episódio em 2016. Na ocasião, o então juiz Sérgio Moro divulgou um grampo telefônico em que a presidente Dilma Rousseff mencionava o nome “Bessias” ao falar sobre o encaminhamento de posse de Lula como ministro da Casa Civil. Messias, que era subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, recebeu o apelido que o acompanhou por anos.

Apesar de ter atuado em grupos ligados ao PT, Messias conquistou a confiança de Lula mais recentemente. O presidente o considera um nome “maduro” e sem riscos para o seu governo, diferentemente de algumas decepções com indicações anteriores.

Aproximação com o segmento evangélico

Evangélico e diácono da Igreja Batista, Messias tem intensificado esforços para aproximar Lula do segmento religioso, que demonstra resistência ao governo do PT. Ele participou de reuniões estratégicas, como um encontro no Palácio do Planalto com líderes religiosos, incluindo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar de ter sido vaiado em um evento religioso, Messias mantém o foco em construir pontes e minimizar divergências, repetindo que “na minha porta não tem ideologia” e que seu trabalho é “construir pontes”.

Trajetória e desafios no Senado

Messias, que é Procurador da Fazenda Nacional, possui mestrado e doutorado pela UnB. Sua tese de doutorado, apresentada em 2024, elogiou o STF por “estancar os abusos da Lava Jato” e “fazer frente às ameaças golpistas”.

Para ser nomeado ministro do STF, Messias precisará passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e obter aprovação do plenário. A articulação política é crucial, e ele conta com o apoio de ministros do STF indicados por Bolsonaro, como André Mendonça e Kassio Nunes Marques, para obter votos entre parlamentares de direita.

A indicação também gerou um mal-estar entre o Planalto e a cúpula do Congresso, após Lula anunciar a formalização sem combinar previamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que pode influenciar o andamento da análise.

Fonte: Estadão

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade