O esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China entre junho e julho pode levar a uma acomodação ou queda nos preços da arroba do boi no segundo semestre. A avaliação é de Gilberto Tomazoni, CEO da JBS. O executivo apontou que o fim da janela de embarques para o mercado chinês deve coincidir com um aumento da oferta de gado no Brasil, especialmente com a entrada dos animais de confinamento.






“Estamos vendo duas coisas ao mesmo tempo: possível redução do fluxo para a China e aumento da oferta doméstica”, disse Tomazoni durante o 12th Annual Brazil Investment Forum, organizado pelo Bradesco BBI.
Atualmente, a China responde por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina. Embora países do Sudeste Asiático estejam ampliando suas compras, o crescimento não ocorre na mesma velocidade para compensar a dependência do mercado chinês no curto prazo.
Além disso, um volume adicional de carne já embarcado deve entrar nas cotas atuais, o que pode ampliar a oferta disponível no mercado global no momento de virada do ciclo. Apesar da possível pressão sobre os preços do boi gordo, o CEO da JBS destacou que a demanda global por proteína segue robusta.
“Somos muito positivos com a demanda”, disse, ponderando que o ajuste tende a ocorrer mais pelo lado da oferta no Brasil.
Aftosa na China e redistribuição de cotas
Os recentes casos de febre aftosa na China adicionam uma camada extra de incerteza ao mercado. No entanto, ainda é cedo para medir impactos concretos sobre o comércio global de carne bovina. Qualquer efeito mais relevante dependerá da extensão do problema sanitário e das eventuais respostas das autoridades chinesas.
Uma das possibilidades monitoradas pelo mercado é a eventual redistribuição de cotas de importação, caso outros países não consigam cumprir seus volumes diante de restrições sanitárias. Nesse cenário, o Brasil poderia se beneficiar, mas isso só deve ficar claro mais para o fim do ano.
“Há muitos questionamentos sobre a possibilidade de outros países não cumprirem suas cotas e o Brasil se beneficiar, mas isso vai demorar para sabermos. Os países vão tentar cumprir suas cotas e só depois, no final do ano, será possível ver quem conseguiu e quem não conseguiu”, explicou.
Por ora, o tema segue no radar, sem alterar de forma imediata a dinâmica central do mercado, que continua mais dependente da demanda chinesa e da evolução da oferta global.
Fonte: Moneytimes