A Jaguar Mining, mineradora brasileira listada no Canadá, anunciou uma estratégia de crescimento em Minas Gerais, focada na reabertura de minas e na busca por aquisições, impulsionada pela valorização contínua do preço do ouro. A companhia planeja triplicar sua produção anual de 40 mil onças para 120 mil onças em até cinco anos, com potencial de atingir 250 mil onças em um horizonte de dez anos. Para viabilizar esses planos, a empresa destinará US$ 160 milhões (R$ 675 milhões) de seu caixa em investimentos.
O presidente da companhia, Luís Albano Tondo, explicou que as reservas atuais permitem alcançar 100 mil a 120 mil onças de produção anual. A descoberta de novas jazidas pode elevar esse potencial para 200 mil a 250 mil onças em cinco a dez anos. A valorização do ouro, motivada por tensões geopolíticas, aversão ao risco e enfraquecimento do dólar, tem sido um fator chave. O metal registrou alta de 40% em 2025 e cerca de 20% em 2026, chegando a superar US$ 5.500 no início do ano.
Retomadas de produção
A Jaguar reabriu recentemente o Complexo Turmalina, que sofreu um acidente em dezembro de 2024 com o deslizamento de rejeitos e estéril. O incidente resultou em multas de US$ 27 milhões e paralisação das operações, mas os embargos já foram removidos. Antes da interrupção, o complexo produzia entre 30 mil e 35 mil onças anuais, e a companhia espera uma retomada gradual.
Outro ativo, a mina Santa Isabel, no Complexo de Paciência, tem previsão de entregar cerca de 20 mil onças em 2027, após iniciar com 4 mil a 6 mil onças em 2026. A mina estava paralisada desde 2012 devido à baixa viabilidade econômica, agravada por royalties. Uma negociação eliminou esses royalties há quatro anos, melhorando a atratividade do projeto, especialmente com o atual preço do ouro. A planta do complexo necessita de uma reforma substancial, com investimento estimado entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões, e o minério extraído será processado nas instalações de Caeté.
A definição do momento exato para a entrada em operação da mina Santa Isabel ainda está em análise, dependendo da verificação das reservas. A Jaguar Mining busca ativos de padrão internacional, com produção estimada de ao menos 100 mil onças por ano. Atualmente, o Complexo Caeté, que inclui a mina Pilar e a planta Roça Grande, é o único ativo em plena operação, com produção prevista de 40 mil onças para este ano.
Fonte: Estadão