Israel tem exacerbado seu direito de autodefesa ao atacar o Irã sem ameaça iminente e reagir de forma desproporcional em Gaza, cometendo violações graves das normas de conflito. Essa é a perspectiva de João Paulo Charleaux, jornalista e escritor, em seu novo livro “As Regras da Guerra”. A obra detalha a evolução dos regulamentos de guerra, desde origens religiosas até convenções modernas.


O que você precisa saber
- O livro aborda a evolução das leis de guerra, desde suas origens até os protocolos atuais.
- Charleaux argumenta que Israel, assim como EUA, Irã e Rússia, cometeu violações das regras em conflitos recentes.
- A Rússia é citada como exemplo de crime de agressão na guerra da Ucrânia por invadir o país sem ter sido atacada.
Direito de guerra e autodefesa
O princípio fundamental de uma guerra justa é que os combatentes não dispõem de meios ilimitados, devendo distinguir entre combatentes e civis, além de proteger feridos e rendidos. A Carta da ONU proíbe guerras, exceto em casos de autodefesa imediata ou com aprovação do Conselho de Segurança. Fora dessas exceções, a guerra é considerada ilegal e crime de agressão.
Análise de conflitos recentes
O autor aplica esse raciocínio a conflitos como a guerra na Ucrânia, onde a Rússia é acusada de crime de agressão. No caso de Israel, embora argumente que responde a agressões anteriores de grupos como Hezbollah, Hamas e Houthis, Charleaux considera que o ataque excede o direito de autodefesa, que deve ser imediato e não incluir operações ofensivas de ocupação territorial.
Violações e consequências
Charleaux aponta que Israel tem extrapolado o direito de defesa em termos de uso da força, duração das operações e ocupação de território, o que constitui o principal problema legal. Mesmo em casos de uso militar de ambulâncias e hospitais pelo Hamas, o autor ressalta a necessidade de precaução e de evitar danos humanitários desproporcionais.
Apesar das violações, o direito internacional humanitário é considerado essencial, comparado às regras de trânsito. A solução reside em aumentar a conscientização e os mecanismos de responsabilização. Embora a punição pelo TPI e pela Corte Internacional de Justiça seja limitada, o autor destaca que violações graves impactam a opinião pública e o resultado da guerra, afetando o soft power e as relações futuras.
Fonte: UOL