A polícia na Irlanda utilizou spray de pimenta e realizou prisões neste sábado para dispersar manifestantes que bloqueavam a única refinaria de petróleo do país. A ação visa restaurar o abastecimento após cinco dias de protestos em todo o território nacional contra o aumento dos preços dos combustíveis.






Forças policiais, com apoio de militares, atuaram para reabrir a refinaria de Whitegate, no condado de Cork, e escoltar caminhões de combustível. Vídeos divulgados pela emissora nacional RTE mostram policiais arrastando um manifestante de um trator.
O chefe da polícia irlandesa, Justin Kelly, declarou que as ações dos manifestantes, que incluíam o bloqueio de “infraestrutura nacional crítica como depósitos de combustível e refinarias”, estavam “colocando o estado em perigo”. Ele alertou que a falta de combustível estava impactando diretamente serviços de emergência, como hospitais, ambulâncias e bombeiros.
Origem dos protestos
Os protestos começaram na terça-feira em resposta à alta nos preços da gasolina e do diesel, agravada pelo conflito no Oriente Médio. Caminhoneiros, agricultores e operadores de transporte, em sua maioria, bloquearam parcialmente a refinaria e restringiram o acesso a outros depósitos de combustível em Galway e Foynes. Isso causou escassez e ameaçou serviços de emergência e o transporte de cargas.
Um manifestante, Paddy Murray, relatou à RTE que “não é possível continuar fazendo negócios com o custo do combustível e dos salários”. Ele pediu intervenção governamental.
Posição do governo irlandês
Kevin McPartlan, CEO da Fuels for Ireland, informou que cerca de 600 dos 1.500 postos de gasolina na República da Irlanda já estavam sem estoque. O porto operado pela Irish Rail também sofreu severos impactos, aproximando-se da capacidade máxima e forçando navios a aguardar em alto mar ou a serem desviados.
O primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, alertou que a situação poderia forçar o país a recusar o recebimento de remessas de combustível em meio a uma escassez global, classificando o cenário como “inconcebível” e “ilógico”. O Ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, considerou “inaceitável” a continuidade dos protestos, mesmo com o agravamento da crise de abastecimento. Ele afirmou que, embora o impacto dos altos preços dos combustíveis seja reconhecido, nenhum grupo tem o direito de “manter o povo refém”.
As medidas anteriores do governo, como cortes de impostos e reembolsos, não foram suficientes para compensar o aumento dos preços do petróleo, associado a conflitos internacionais.
Fonte: Dw