Morte de líder no Irã afeta preço de produtos e inflação no Brasil

Morte de líder no Irã eleva preço do petróleo e pressiona inflação no Brasil. Entenda os impactos e o que esperar para empresas e juros.

A morte de Ali Khamenei, líder religioso e figura de poder absoluto no Irã, em 28 de fevereiro de 2026, após um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel, gerou repercussões globais que impactam diretamente o mercado e a economia brasileira. Khamenei detinha um poder que unia as esferas política, religiosa e militar, sendo indispensável em qualquer decisão importante no país por 36 anos.

A morte de uma figura com tal influência em um país estratégico para o fornecimento de petróleo resultou em efeitos imediatos no mercado internacional. Em menos de 72 horas, o preço do petróleo registrou uma alta de 13%, o dólar pressionou o real e o mercado começou a precificar um cenário de juros mais elevados por um período prolongado no Brasil. Esse cenário alterou planos de crescimento de diversas empresas.

Impacto nos custos de produção e logística

Empresas que dependem de insumos ligados ao petróleo, como a Horizonte Embalagens, fabricante de embalagens plásticas, sentiram o impacto diretamente. O custo de resina petroquímica, baseado no petróleo, subiu de uma projeção de US$ 68 o barril para US$ 82, elevando os custos de produção antes mesmo da renegociação de contratos com clientes. Essa situação força empresas a escolherem entre absorver a margem de lucro ou repassar o aumento, arriscando perder competitividade.

O reflexo se estende a setores como o agronegócio. Produtos como soja, milho e açúcar, além de proteínas animais, podem ter seus custos elevados devido ao aumento do preço dos fertilizantes e do frete marítimo, que utilizam derivados do petróleo como matéria-prima. Produtores rurais que planejaram seus custos com base em preços mais baixos de petróleo podem ver suas margens de safra reduzidas.

Cenário de estagflação e a posição do Brasil

A combinação do choque energético com tarifas protecionistas globais cria um cenário de estagflação, caracterizado por crescimento econômico fraco e inflação persistente. Esse ambiente dificulta a gestão empresarial, pois limita as ferramentas tradicionais de resposta, como a redução de preços para manter volume ou o aumento de preços para preservar margem, diante da pressão sobre a renda do consumidor.

No entanto, o Brasil se encontra em uma posição estruturalmente diferente. Como exportador líquido de petróleo, o país pode ter uma vantagem. O aumento do preço global do petróleo tende a impulsionar a demanda pelo óleo brasileiro, especialmente da China. A Petrobras tem a capacidade de amortecer parte do impacto do aumento dos preços dos combustíveis internamente, tornando a vulnerabilidade brasileira menor em comparação com países importadores de energia como Alemanha e Japão.

Expectativas para a política monetária e o crédito

A instabilidade no mercado de energia e a pressão inflacionária podem levar à interrupção ou redução do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Banco Central. Antes do conflito, a probabilidade de um corte de meio ponto percentual era alta, mas o cenário atual sugere cautela. Empresários que contavam com crédito mais barato para financiar expansão ou capital de giro precisam ajustar seus planos.

Novo líder no Irã e instabilidade prolongada

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá assassinado, assume o cargo sem experiência pública consolidada. Em um regime que acabou de sofrer um ataque militar, ele pode ter o incentivo de demonstrar força, o que pode significar uma instabilidade prolongada no mercado de energia, especialmente considerando o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Recomendações para empresários

Diante deste cenário, recomenda-se que empresários revisem seus orçamentos considerando um preço de petróleo mais elevado, mapeiem fornecedores com cláusulas de reajuste por variação de insumo e conversem com bancos para negociar linhas de crédito antes que a necessidade se torne urgente. A gestão proativa do risco é fundamental para mitigar os impactos negativos.

Fonte: Estadão

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