Irânianos residentes nos Estados Unidos vivenciam dias de apreensão com a escalada do conflito no Oriente Médio. Acompanham à distância bombardeios e ameaças, enfrentando a dificuldade de manter contato com familiares devido a cortes de internet e o risco de colapso de serviços básicos no Irã.



Samira Sahebi, 57, que vive em Portland, expressa sua angústia: “É o nosso dinheiro que está sendo usado para matar o nosso povo”. Ela relata um sentimento de desumanização ao ouvir declarações do presidente Donald Trump sobre o país onde ainda possui familiares.
“Há uma absoluta falta de respeito pela vida humana e pelas regras da lei, como as regras internacionais de combate e guerra. É de partir o coração ver a falta de humanidade nisso”, afirma Sahebi, que integra o movimento Free Iran. O grupo, fundado em 2022, busca ser a voz do povo iraniano e denunciar violações de direitos humanos, sem afiliação política.
Apesar de rejeitar o regime iraniano, os membros do movimento expressam revolta com as ameaças de Trump. O presidente americano chegou a anunciar um cessar-fogo de duas semanas após declarações sobre o fim do país persa.
Com o acesso instável à internet no Irã, familiares recorrem a ligações esporádicas, muitas vezes para se despedir. “Recebi uma chamada antes de entrar nesta conversa. Era basicamente um adeus”, conta Sahebi, emocionada.
A comunidade iraniana se divide diante do cenário. Alguns veem na ofensiva uma oportunidade de enfraquecer o regime, enquanto outros, como Mehra Rezvan, 37, acreditam que o conflito fortalece setores radicais. “A guerra não vai resolver. […] O que fizeram foi transformá-lo em mártir. Isso acabou servindo como combustível para extremistas no Irã fazerem exatamente o que quisessem”, avalia Rezvan.
As alternativas defendidas incluem negociação, reparações e garantias de direitos humanos. O restabelecimento do acesso à internet no país é considerado crucial para que a população possa se informar e se comunicar, segundo Saeed Taheri, 37.
Taheri, que deixou o Irã após ser perseguido por ativismo estudantil, relata conversas difíceis com a mãe, que se prepara para a escassez de água e energia. “Eles mandam mensagens dizendo que estão bem, mas estão se preparando para ficar sem água e energia. É muito duro”, afirma.
Apesar de defenderem mudanças no Irã, os entrevistados rejeitam a guerra como solução. “Somos contra o regime, mas não sentimos que a guerra seja o caminho para alcançar isso”, conclui Sahebi.
Fonte: UOL