O Ibovespa reverteu perdas iniciais e passou a operar em leve alta no fim da manhã, impulsionado pela notícia de que Irã e Omã elaboram um protocolo para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz. A informação, divulgada pela agência estatal IRNA, trouxe alívio aos ativos globais, especialmente os de risco, embora o movimento tenha perdido força no início da tarde.
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Por volta das 13h10, o Ibovespa operava praticamente estável (+0,09%), aos 188.066 pontos, após oscilar entre 185.214 e 189.251 pontos. O volume financeiro projetado para o dia era de R$ 20,5 bilhões.
A melhora do mercado local espelhou o movimento visto em Wall Street, onde os principais índices americanos chegaram a subir, mas depois perderam força. No mesmo horário, o Dow Jones cedia 0,29%; o S&P 500 recuava 0,13%; e o Nasdaq perdia 0,17%.
A notícia sobre o protocolo entre Irã e Omã beneficiou as ações mais líquidas da bolsa. As ON da Vale subiam 0,43%, após cederem no início do dia, enquanto ações de bancos recuavam, com destaque para as perdas de 1,33% das ações ordinárias do Bradesco.
A elaboração do protocolo também fez os preços de petróleo se afastarem das máximas. As ações preferenciais da Petrobras subiam 1,77%, a R$ 48,22, e as ON da estatal ganhavam 2,14%, indicando um fluxo estrangeiro favorável. Outras petrolíferas também apresentaram ganhos: Brava (+2,27%), Prio (+3,70%) e PetroReconcavo (+0,81%).
Embora o Brent tenha acumulado alta de aproximadamente 62% em março, o impacto sobre os papéis do setor no Ibovespa foi desigual. Empresas com maior exposição à produção e exportação, como Petrobras e Prio, exibiram correlação mais evidente com a commodity. No mês passado, as ações ordinárias da Petrobras subiram cerca de 26% e as da Prio, 21%. Os papéis da estatal também foram beneficiados pela continuidade do fluxo estrangeiro para mercados emergentes.
Companhias como Brava Energia e PetroReconcavo ficaram para trás, com ganhos de 10% e 13% em março, respectivamente, pressionadas por características operacionais distintas e menor sensibilidade direta à alta do petróleo no mercado internacional.
Além da alta do petróleo, as ações da Petrobras foram favorecidas pela manutenção do fluxo de capital estrangeiro para a bolsa. Em março, os aportes de estrangeiros no segmento secundário da B3 se mantiveram, atingindo R$ 11,7 bilhões, o maior volume para um mês de março desde 2022. Os aportes da categoria na B3 somam R$ 53,4 bilhões no acumulado do ano.
Em relatório, o Goldman Sachs destacou que ações do Brasil, África do Sul e Coreia do Sul parecem estar em melhor posição para uma recuperação em meio à guerra no Oriente Médio. O Brasil se destaca como um beneficiário relativo, dado que é exportador de petróleo e tem se mantido melhor devido aos ganhos do setor de energia.
Fonte: Globo