A inteligência artificial (IA) emerge como uma força transformadora nos negócios globais, impactando decisões estratégicas no topo de grandes corporações. Inicialmente focada no risco de automação de empregos, a tecnologia agora influencia a sucessão de executivos em multinacionais.


Em casos recentes, CEOs associaram suas saídas à necessidade de lideranças mais alinhadas à nova fase tecnológica. James Quincey, ex-CEO da Coca-Cola, mencionou em entrevista que sua saída após nove anos visava preparar a companhia para um novo ciclo impulsionado pela IA. Ele foi sucedido pelo brasileiro Henrique Braun, ex-diretor global de operações.
Quincey destacou a necessidade de uma equipe com a energia certa para a próxima fase de crescimento, classificando Braun como alguém capaz de buscar uma transformação completa na empresa. Braun, engenheiro agrônomo, possui mais de trinta anos de experiência na Coca-Cola em diversas áreas.
Um movimento similar ocorreu no Walmart, onde o então CEO Doug McMillon indicou que a velocidade das mudanças trazidas pela IA influenciou sua decisão de antecipar a sucessão. Ele expressou que, embora pudesse iniciar as transformações com IA, não conseguiria finalizá-las, vendo a oportunidade de vislumbrar o comércio automatizado e o que seria necessário nos próximos anos.
Rafael Steinhauser, ex-CEO da Qualcomm para a América Latina, observa que a questão já é rotineira em conselhos de administração. Ele prevê uma forte rotação geracional, com novas equipes compostas por executivos experientes e adaptáveis, além de gestores mais jovens familiarizados com a cultura de IA. Conselhos de administração também enfrentam essa demanda.
Steinhauser, cofundador da Wabee, empresa focada em IA para marketing, ressalta que a IA exige que os executivos acompanhem ou liderem o movimento. Ele aponta que mudanças radicais na forma de trabalho e o domínio de novas tecnologias podem não ser fáceis de assimilar para o C-level, que geralmente possui idade mais elevada.
Hernan Kazah, cofundador da Kaszek Ventures e do Mercado Livre, avalia que, embora ainda não haja substituição forçada de executivos pela IA, as empresas correm para evitar erros passados. Ele compara a situação à era da internet, onde muitas empresas falharam por falta de velocidade e convicção, apesar de verem a disrupção. Kazah nota que os grandes disruptores atuais, como Google e Amazon, investem agressivamente em IA para não ficarem para trás.
Fonte: UOL