O Itaú BBA avalia que a Hapvida está em um processo de ajuste relevante, com avanços recentes na gestão, mas ainda distante de uma recuperação completa dos resultados. A companhia enfrentou um terceiro trimestre abaixo do esperado e um quarto trimestre ainda mais desafiador, mas suas ações reagiram, apesar de pressões operacionais e financeiras.
Nos últimos meses, a família controladora aumentou sua participação na empresa, houve mudanças relevantes na gestão e um acionista minoritário passou a pressionar por maior independência no conselho. Ao mesmo tempo, as debêntures da companhia sofreram pressão no mercado secundário, refletindo preocupações com o fluxo de caixa, parcialmente amenizadas por sinais iniciais de possíveis desinvestimentos em regiões não estratégicas.
Ambiente competitivo e pressão sobre margens
O banco destaca que o ambiente competitivo em São Paulo segue desafiador. Houve perda de participação de mercado em produtos regionalizados e nacionais, pressionada por menor capilaridade da rede e diferenciação de preços pouco eficiente. O atual cenário tende a manter pressão sobre o ticket médio, enquanto o custo por beneficiário deve seguir elevado no curto e médio prazo, diante dos investimentos em expansão da rede e melhora de percepção de qualidade.
Por outro lado, o BBA aponta fatores que podem mitigar essas pressões. A companhia avalia fechar capacidades ociosas e aumentar o uso de redes terceirizadas, potencialmente mais eficientes do que o modelo verticalizado atual. Uma reformulação da oferta para pequenas e médias empresas também pode melhorar a qualidade das novas adesões e aliviar margens.
Projeções financeiras e fluxo de caixa
O Itaú BBA projeta que a sinistralidade deve permanecer elevada ao longo de 2026, próxima ao nível observado no segundo semestre de 2025, com apenas leve melhora no início do ano. Com crescimento mais lento de receita, menor alavancagem operacional, continuidade de investimentos comerciais e impacto de multas regulatórias, o banco estima lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de R$ 2,5 bilhões. Isso representa uma revisão negativa de 20% em relação às projeções anteriores.
Diante das margens pressionadas, o fluxo de caixa livre também deve permanecer limitado. Considerando despesas com arrendamentos de cerca de R$ 600 milhões, investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões e elevado custo financeiro, a expectativa é de leve aumento da dívida líquida ao longo de 2026.
Potenciais desinvestimentos e recomendação
O Itaú BBA cita potenciais desinvestimentos, incluindo ativos nas regiões Sul e em Minas Gerais, como forma de reforçar o balanço. Embora essas regiões não sejam as principais responsáveis pela deterioração recente dos resultados, a venda poderia trazer algum alívio financeiro. Ainda assim, há baixa visibilidade sobre o timing e a probabilidade dessas operações.
O Itaú BBA mantém recomendação market perform (desempenho igual a média do mercado, equivalente à neutro) para a Hapvida. O preço-alvo é de R$ 15 por ação ao fim de 2026, refletindo cautela com a trajetória de recuperação no curto prazo.
Fonte: Infomoney