A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal, estima que a guerra no Oriente Médio poderá impulsionar o valor do salário mínimo em 2027 para perto de R$ 1.730. Este valor supera a projeção de R$ 1.717 feita pelo governo federal no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO).
O conflito tem pressionado o preço do petróleo, que opera próximo de US$ 100 por barril, impactando a inflação brasileira devido ao reajuste nos preços dos combustíveis. Em março, a inflação já registrou impacto desse fator.
Entenda o cálculo do salário mínimo
O reajuste do salário mínimo segue um formato que soma dois índices: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro, conforme previsto pela Constituição, e o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. Para 2027, considera-se o PIB de 2025.
Uma pressão inflacionária maior neste ano resulta em um salário mínimo mais alto em 2027. Na projeção do governo, o INPC considerado para o cálculo foi inferior a 3,6%. Já a IFI projeta um INPC mais elevado, entre 4,17% e 4,47%, dependendo da persistência do choque do petróleo.
Impacto do conflito no PIB e na inflação
A escalada da guerra no Oriente Médio pode adicionar até 1 ponto percentual à inflação brasileira no biênio 2026-2027, segundo a IFI. Em um cenário de tensão prolongada, o Brasil corre o risco de sofrer um choque de oferta que pode comprimir a renda das famílias e o crescimento do PIB.
A persistência de preços elevados do petróleo pode exigir repasses de alta nos combustíveis, impactando toda a cadeia produtiva. A IFI calcula que um aumento de 10% no preço do Brent tende a elevar a inflação do país em 0,2 ponto percentual.
Apesar de o Brasil ser um exportador líquido de petróleo, os benefícios da alta do barril são considerados passageiros. A manutenção prolongada de energia em patamares elevados configura um choque de oferta, temido pelos formuladores de política econômica por unir maior inflação com menor crescimento.
O salário mínimo serve de referência para aproximadamente 61,9 milhões de pessoas no Brasil, incluindo trabalhadores formais, aposentadorias e benefícios como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).