O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, apelou aos aliados da Otan para defenderem o direito internacional diante das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha.
Trump criticou a Otan em redes sociais, mencionando a Groenlândia como um “pedaço de gelo grande e mal administrado”. Nielsen rebateu a caracterização, afirmando que a Groenlândia é lar de 57.000 pessoas que atuam como cidadãos globais em respeito aos aliados.
Nielsen ressaltou a importância da ordem geopolítica pós-guerra, incluindo a aliança da Otan e o respeito à lei internacional, que considera estarem sendo desafiados.
Conversas diplomáticas em andamento
A Otan já buscava coesão interna após o interesse de Trump em adquirir a Groenlândia da Dinamarca. Em janeiro, a Casa Branca avaliou o uso de força militar na ilha, o que levou países europeus a enviarem tropas em demonstração de solidariedade.
Trump posteriormente recuou após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e o conflito sobre a Groenlândia passou para a esfera diplomática. A mais recente publicação de Trump ocorreu após uma nova reunião com Rutte.
Groenlândia, Dinamarca e EUA iniciaram conversações diplomáticas no final de janeiro, que Nielsen confirmou estarem em andamento, com novas reuniões agendadas.
Interesses estratégicos no Ártico
Trump e seus apoiadores argumentam que os EUA necessitam da Groenlândia para se defender de ameaças da Rússia e da China no Ártico, e que a Dinamarca não garantiria a segurança da ilha.
Os Estados Unidos já possuem uma base na Groenlândia e um tratado de 1951 permite a expansão de sua presença. Nielsen reconheceu a importância do acordo de 1951 para discussões sobre aumento da cooperação em defesa, mas não detalhou as negociações.
Apesar das conversas, Nielsen expressou ceticismo sobre o abandono das ambições de Trump em relação à ilha, afirmando não ver que o desejo de assumir ou controlar a Groenlândia tenha sido retirado da mesa.

Fonte: Infomoney