Governo propõe usar receita extra do petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis

Governo envia ao Congresso projeto que permite usar receita extra de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis, visando mitigar efeitos da guerra no Oriente Médio.

O governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que autoriza a conversão de aumentos extraordinários na receita do petróleo em redução de tributos sobre combustíveis. A proposta visa mitigar os impactos da escalada do preço do petróleo, decorrente da guerra no Oriente Médio.

Mecanismo de Redução Tributária

A proposta permite que, quando houver um aumento extraordinário na receita proveniente das cotações do petróleo, o montante seja utilizado para diminuir tributos como PIS/Cofins e Cide-gasolina sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, a ideia é converter o aumento da arrecadação pública, gerada por royalties e outras fontes ligadas ao petróleo, em mecanismos que amortecessem os efeitos para a população.

“O ponto central nosso é converter esse aumento de receita em mecanismos que possam amortecer os efeitos para a população”, explicou Moretti. Ele detalhou que, caso o projeto seja aprovado, o Executivo poderá tomar novas medidas sobre os combustíveis. A redução tributária seria limitada à receita extraordinária apurada, assegurando a neutralidade fiscal das ações.

Fontes da Receita Extraordinária

Os recursos que poderão ser utilizados para a redução de tributos incluem:

  • Royalties e participação especial da União na exploração de petróleo ou gás natural.
  • Receitas da venda de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos destinados à União.
  • Montantes oriundos do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos ao setor de óleo e gás.
  • Dividendos da União recebidos de empresas do setor de óleo e gás.
  • Recursos oriundos do Imposto de Exportação de 12% extraordinário sobre as exportações de petróleo.

Pacote de Medidas Anteriores

No início do mês, o governo já havia anunciado um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis, com custo total estimado de R$ 30,5 bilhões. Essas ações incluem subvenção ao diesel importado e produzido no Brasil, ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e ao querosene de aviação, além de isenção de impostos federais sobre o biodiesel e linhas de crédito para o setor aéreo.

A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro para o diesel importado e R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, somando-se a subsídios já existentes. O objetivo é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a volatilidade de preços. A medida, que tem um custo estimado de R$ 4 bilhões para abril e maio, busca dividir o ônus entre União e estados.

Fonte: G1

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