A gestão de risco nas empresas brasileiras ainda enfrenta desafios significativos de maturidade e atualização. Pesquisa realizada pela Deloitte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), revela que, embora as organizações busquem criar indicadores para monitorar ameaças, esses instrumentos frequentemente carecem de modernização ou não são integrados à tomada de decisão estratégica.
O que você precisa saber
- 76% das empresas estão em estágios reativos ou iniciais na modelagem de riscos.
- 58% das organizações não realizam simulações ou testes de crise corporativa.
- Osetor financeiroapresenta o maior nível de maturidade no acompanhamento de indicadores.
Desafios na governança e monitoramento
Segundo Alex Borges, sócio de Enterprise Risk da Deloitte, a falta de atualização dos instrumentos de controle impede que as empresas respondam com agilidade a cenários adversos. O executivo aponta que a dificuldade em mitigar perdas, como no caso do crescimento da inadimplência, decorre de ferramentas defasadas que não acompanham a dinâmica do Mercado. A cultura organizacional e a falta de priorização aparecem como os principais obstáculos para a implementação de processos mais eficazes.
Lacunas entre departamentos
O levantamento, que ouviu 221 organizações, indica que mais de 90% dos respondentes acompanham ao menos um indicador de risco. Contudo, existe uma disparidade clara entre as áreas: enquanto 84% das empresas monitoram riscos no setor financeiro, o departamento de marketing apresenta práticas muito menos estruturadas. Essa fragmentação reflete a ausência de uma visão unificada sobre a governança de riscos, que muitas vezes é tratada como uma atribuição técnica isolada em vez de uma prioridade estratégica.
Oportunidades de amadurecimento
Apesar do cenário atual, há espaço para evolução na gestão de continuidade de negócios. Mais de 60% das empresas possuem processos estabelecidos para garantir a manutenção de atividades críticas. Para especialistas, a transição de uma visão reativa para uma abordagem estratégica é essencial, especialmente diante da crescente relevância de riscos financeiros, regulatórios e cibernéticos previstos para 2026. A estruturação formal de áreas dedicadas à gestão de riscos é apontada como o passo fundamental para que as companhias ganhem resiliência.
Fonte: Estadão