Sindicatos e partidos de esquerda na França criticaram a proposta de permitir que funcionários trabalhem no feriado de 1º de Maio, data simbólica para a luta sindical no país. A legislação atual estabelece o dia como festivo e não trabalhado, com exceções pontuais para setores como padarias e floriculturas, sob pena de multas.


A proposta, apoiada pelo governo e por legisladores de centro e direita, visa autorizar o trabalho em comércios de bairro e espaços culturais de forma voluntária, com pagamento em dobro. O ministro do Trabalho, Jean-Pierre Farandou, afirmou que o objetivo é dar segurança ao marco existente e que a mudança, se aprovada, poderia valer já para este ano.
Para os sindicatos, a medida poderia levar cerca de 1,4 milhão de funcionários a trabalhar no feriado, e há receio de que a voluntariedade não seja respeitada, com trabalhadores se sentindo pressionados a aceitar.
O projeto de lei já foi aprovado no Senado e avançou na Assembleia Nacional. Em uma manobra tática para acelerar a aprovação antes do fim do mês, os apoiadores da mudança optaram por rejeitar a lei sem debate, após a apresentação de 140 emendas.
Sophie Binet, líder do sindicato CGT, denunciou a proposta como uma “facada nas costas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras”.
O 1º de Maio tem origem em manifestações de trabalhadores em Chicago, em 1886, que reivindicavam a jornada de oito horas diárias. Na França, em 1919, a data foi oficializada como Dia do Trabalho, com foco na reivindicação de um equilíbrio entre trabalho, descanso e vida pessoal.
Fonte: UOL