A economia mundial enfrenta um cenário de incerteza devido ao conflito no Oriente Médio, que ameaça desencadear uma crise energética. O Fundo Monetário Internacional (FMI) adverte sobre o risco de recessão global caso o conflito se prolongue e o preço do petróleo ultrapasse os 110 dólares o barril, elevando a inflação para 6%.
Segundo Pierre-Oliver Gourinchas, economista-chefe do FMI, a duração, intensidade e alcance do conflito determinarão o impacto na economia mundial. A instituição, em sua assembleia de primavera em Washington, analisa os desafios econômicos globais, destacando a imprevisibilidade dos fatores envolvidos.
O FMI aponta que a resposta do exército iraniano ao bloquear o estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do petróleo mundial, já impactou os mercados energéticos. Os ataques mútuos a instalações energéticas afetam o fornecimento de petróleo, gás natural e produtos químicos essenciais para diversas indústrias.
Três cenários para a economia global
O FMI delineou três cenários para analisar o impacto da guerra. No cenário de referência, com conflito limitado, o crescimento global previsto é de 3,1% em 2026 e 3,2% em 2027, com inflação em 4,4% e 3,7% respectivamente. O preço do petróleo deve subir 21%, atingindo uma média de 82 dólares o barril.
Em um cenário adverso, com aumento persistente dos preços de energia, o crescimento mundial desaceleraria para 2,5% em 2026, e a inflação chegaria a 5,4%. O preço do petróleo poderia atingir 100 dólares o barril, forçando os bancos centrais a aumentar as taxas de juros.
O cenário mais grave prevê que, com danos à infraestrutura energética, o crescimento global cairia para 2% em 2026 e a inflação superaria 6% em 2027. O preço do petróleo chegaria a 110 dólares o barril, configurando uma situação próxima à recessão mundial, algo que ocorreu apenas quatro vezes desde 1980.
Impacto desigual entre países
O FMI estima que os Estados Unidos seriam um dos países menos afetados, com crescimento previsto de 2,3% em 2026, parcialmente compensado pela sua capacidade de exportação de energia. Na Europa, o crescimento deve permanecer modesto, com 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, com países como Itália e Alemanha apresentando projeções mais baixas.
A China, apesar dos desequilíbrios, deve crescer 4,4% em 2026 e 4% em 2027, beneficiando-se da redução de tarifas dos EUA e de estímulos internos. No entanto, todas as projeções estão sujeitas ao desenvolvimento da guerra e à imprevisibilidade de fatores geopolíticos.
Fonte: Elpais