A demanda por apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve crescer entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões nos próximos meses, como consequência da guerra no Oriente Médio. A projeção foi feita pela diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, nesta quinta-feira (9).
Georgieva destacou que o conflito está impactando a economia global, com quedas de 13% no fluxo diário mundial de petróleo e de 20% no de gás natural liquefeito (GNL). Segundo ela, a situação gerou um choque de oferta que elevou os preços da energia e interrompeu as cadeias de fornecimento.
Em declarações preparadas para as reuniões do FMI e do Banco Mundial, a diretora-gerente informou que a guerra levou o Fundo a revisar para baixo sua previsão de crescimento global. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, trará efeitos em cascata, incluindo o fechamento de refinarias e escassez de produtos refinados, afetando transporte, turismo e comércio.
Impactos na cadeia de suprimentos e segurança alimentar
As interrupções nas cadeias de suprimentos devem persistir, impactando a dependência industrial de insumos como enxofre, hélio — essencial para a fabricação de chips — e nafta, utilizada na produção de plásticos. Adicionalmente, estima-se que 45 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar, elevando o total de indivíduos em situação de fome para mais de 360 milhões.
Cenários econômicos e perspectivas de crescimento
O FMI apresentará uma série de cenários em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial na próxima semana. As projeções variam desde uma normalização relativamente rápida até um cenário de preços de petróleo e gás elevados por um período prolongado. Mesmo o cenário mais otimista prevê uma redução nas perspectivas de crescimento, devido a danos à infraestrutura, interrupções no fornecimento e perda de confiança.
Em janeiro, o FMI projetava um crescimento global de 3,3% em 2026 e de 3,2% em 2027.
Fontes: G1 Moneytimes