Exportações de proteína do Brasil mantêm ritmo e analistas destacam preferências

Exportações de proteína do Brasil mantêm ritmo forte no 1º trimestre, impulsionadas por carne bovina e suína, apesar de recuos pontuais em março.
Consumidora compra frango em mercado na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul 17/05/2025 REUTERS/Diego Vara

Dados da balança comercial do Brasil indicam que as exportações brasileiras de proteína mantiveram o ritmo de crescimento no primeiro trimestre deste ano.

Os volumes de carne bovina apresentaram alta de 20% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações de frango aumentaram 5% e as de carne suína registraram um crescimento de 15%.

O Bank of America ressalta que o forte desempenho das exportações brasileiras reflete um cenário global de oferta e demanda de proteína restrito, com o Brasil bem posicionado como um importante mercado de origem.

Em março, contudo, as comparações anuais mostraram um leve recuo. Segundo o Bradesco BBI, os resultados foram pressionados pela queda nas exportações para os EUA e China. A carne suína atingiu um nível recorde, com aumento de 11% em relação a março do ano anterior, enquanto a exportação de aves e carne bovina recuou 8% e 6%, respectivamente.

Os preços do gado no Brasil subiram 5,8% em relação ao ano anterior e 6,3% em relação ao trimestre anterior, em reais. Para o frango, os custos de produção permaneceram estáveis na comparação anual, com os custos de ração caindo 9% em relação ao ano anterior no primeiro trimestre de 2026.

Na visão do BBI, houve alívio nas margens de carne bovina nos EUA, enquanto aves estão sob pressão. Os analistas avaliam que o momento de resultados do setor tende a perder tração, com spreads mais pressionados, especialmente em aves, devido ao patamar elevado dos custos de alimentação.

O salto recente dos spreads de carne bovina nos EUA levanta a discussão se os fechamentos de capacidade de abate estariam levando a um equilíbrio maior de margens neste estágio do ciclo do gado ou se o movimento foi pontual. Do lado das aves, apesar da alta sazonal dos preços nos EUA, o ritmo tem sido mais lento que o padrão histórico, reforçando a leitura de desaceleração. Os números de março trouxeram novos elementos, mas não alteram a visão estrutural para o segmento de proteínas.

Nesse contexto, a JBS continua se destacando como principal escolha, sustentada por sua diversificação entre proteínas e geografias e por um valuation ainda descontado em relação aos pares.

Impacto nos mercados

O Itaú BBA reforçou a visão construtiva sobre JBS e Minerva, e manteve a classificação neutra para MBRF.

De acordo com o banco, os fluxos de exportação continuam sendo um importante amortecedor para as empresas do setor. Em se tratando das aves, a recuperação da oferta do segmento tem sido absorvida pelos mercados externos.

Apesar disso, o desenrolar das tensões geopolíticas envolvendo os EUA podem gerar efeitos secundários no mercado mundial. No Brasil, um desses efeitos inclui o redirecionamento de oferta adicional para o país por frigoríficos menores incapazes de realocar volumes para outros mercados.

Ao mesmo tempo, a demanda chinesa tem sido um importante fator para a alta dos preços do gado no Brasil, à medida que embarques acelerados buscam preencher a cota anual de exportação do país. Com o ritmo atual, a cota chinesa para o ano deve ser totalmente utilizada até meados de 2026.

JBS como principal escolha

Os investidores têm se questionado se ainda há potencial de valorização no curto prazo, após o desempenho sólido das ações da JBS no acumulado do ano. Para os analistas, a companhia tem espaço para um re-rating adicional, ainda que limitado.

O desconto remanescente em relação aos pares globais e a expectativa de inclusão em índices americanos sustentam a JBS como principal escolha dentro da cobertura do banco.

Exportações de proteína do Brasil
Exportações de proteína do Brasil mantêm ritmo e analistas destacam preferências.

Fonte: Infomoney

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