Exportações do Brasil ao Golfo caem 31,4% em março com guerra na região

Exportações do Brasil para o Golfo caem 31,4% em março, impactadas por conflitos regionais e fechamento de rotas comerciais.

As exportações brasileiras para os países árabes do Golfo registraram uma queda de 31,4% em março em comparação com o mesmo mês de 2025, totalizando US$ 537,11 milhões. Em relação a fevereiro de 2025, a retração foi de 35,4%. Os dados abrangem as vendas para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC).

O conflito na região, que incluiu ataques ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota comercial vital, impactou diretamente o fluxo de mercadorias. Em volumes, a queda em março foi ainda mais acentuada, com recuo de 70% em comparação com março de 2025, atingindo 730,4 mil toneladas.

Conflito interrompe sequência de altas

A guerra na região encerrou uma sequência de altas nas exportações brasileiras para o Golfo observada em janeiro e fevereiro de 2025. Apesar da queda em março, o acumulado do primeiro trimestre ainda mostra um avanço de 8,14% nas vendas, totalizando US$ 2,41 bilhões. Contudo, há expectativa de novas quedas em abril, dada a persistência da incerteza geopolítica.

Agronegócio brasileiro sente impacto

Entre os principais produtos exportados, as vendas de frango recuaram 25,4%, o açúcar teve queda de 43,4% e o milho praticamente zerou. A carne bovina apresentou alta de 23,9% e o café subiu 34,4%. No entanto, em comparação com fevereiro de 2025, o comércio de carne bovina caiu 32% e o de frango, 14,7%. O setor do agronegócio, em geral, recuou 25,4%, menos que a queda total de 31,4% nas exportações para o bloco.

Importações de fertilizantes preocupam

As importações brasileiras de produtos do GCC apresentaram um comportamento diverso, com aumento de receita na comparação anual. No entanto, de fevereiro para março, houve recuo de 12% em volume. Uma preocupação crescente é a queda de 51,3% nas importações de fertilizantes da região no primeiro trimestre, sendo que o GCC responde por cerca de 10% desses insumos. Essa redução pode impactar os preços e a disponibilidade para o agronegócio brasileiro. As compras de fertilizantes de outros países árabes compensaram parcialmente essa queda.

Fonte: Estadão

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