As exportações brasileiras de carnes para o Oriente Médio registraram uma queda de 20% em março, totalizando 151 mil toneladas em comparação com o mesmo mês de 2025. Em contrapartida, o envio de commodities agrícolas sofreu um impacto menor no período. As vendas externas de soja recuaram apenas 1,4%, para 14,5 milhões de toneladas, e as de milho apresentaram um aumento de 13%, alcançando 983 mil toneladas.



Entre os tipos de carne, a bovina apresentou o menor recuo, com uma queda de 9% nas exportações para a região, totalizando 16,1 mil toneladas. A carne de frango, por sua vez, teve uma retração mais acentuada, com uma queda de 20% e envio de 105 mil toneladas. As vendas de carne suína para o Oriente Médio caíram significativamente, de 825 toneladas em março de 2025 para 321 toneladas no mesmo mês deste ano.
Apesar das dificuldades enfrentadas no Oriente Médio, o setor brasileiro de carnes mantém um ritmo de crescimento acelerado em 2026. As receitas acumuladas no primeiro trimestre atingiram US$ 7,92 bilhões, um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em volume, o crescimento foi de 11%, com o total de 2,6 milhões de toneladas nas três principais proteínas.
O ritmo de importações de fertilizantes não foi afetado no mês passado, apesar da importância da região do conflito geopolítico para este mercado. O Brasil importou 1,31 milhão de toneladas, superando as 814 mil toneladas de março de 2025. A Rússia foi a principal fornecedora, enviando 843 mil toneladas, seguida pela China com 498 mil toneladas.
Marrocos também se destacou como fornecedor de fertilizantes no mês passado, com a venda de 406 mil toneladas. Os países do Oriente Médio, que haviam exportado 756 mil toneladas no primeiro trimestre de 2025, enviaram 612 mil toneladas neste ano.
A soja, que inicia um forte período de exportações, já acumula 23,5 milhões de toneladas vendidas no primeiro trimestre, um aumento de 6% em relação a 2025. As receitas subiram para US$ 9,64 bilhões, com um crescimento de 11,5%, segundo dados da Secex.
O milho também demonstra bom desempenho neste ano, com o país exportando 6,78 milhões de toneladas no primeiro trimestre, gerando receitas de US$ 1,51 bilhão. Tanto o volume quanto a receita apresentaram evoluções próximas de 15%.
Dois outros produtos importantes na balança comercial brasileira apresentaram queda em 2026: café e açúcar. As receitas com o café recuaram para US$ 3 bilhões no período de janeiro a março, abaixo dos US$ 3,81 bilhões do ano anterior. O açúcar teve uma queda de 20% nas receitas, totalizando US$ 2,22 bilhões.
A coincidência entre o aumento da energia elétrica e do frete pode levar o preço do pão a registrar uma alta de 8,5% até o final do ano, passando dos atuais R$ 21,5 por kg para R$ 23,33. A eletricidade representa 27,2% do custo do pão, e o frete, 15%.
Fonte: UOL