Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), preso na Papuda, trocou sua equipe de defesa. A mudança, que inclui a contratação dos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, é vista como um indicativo de que Costa pode estar buscando um acordo de colaboração premiada.
Até então, Costa era defendido por Cléber Lopes. A nova defesa ainda não confirmou a intenção de firmar um acordo de delação. Costa foi preso na última semana, sob suspeita de ocultar seis imóveis recebidos como propina do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
A investigação aponta para o envolvimento de Costa em tentativas de compra do Master pelo BRB e na aquisição de carteiras de crédito consignado falsas. Os imóveis supostamente recebidos como propina estão avaliados em R$ 146,5 milhões.
Investigações e Conexões
Costa presidia o BRB desde 2019, durante o governo de Ibaneis Rocha. Ele foi afastado e posteriormente demitido após a primeira fase da Operação Compliance Zero. Uma auditoria interna do BRB sobre os negócios com o Master indicou que as operações eram tratadas como “negócio do presidente” e conduzidas sob pressão.
Contexto Político e Jurídico
A possível delação de Costa pode ter implicações para o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal sugerem que Ibaneis teria solicitado a elaboração de material para defender a compra do Master pelo BRB. A defesa de Ibaneis nega qualquer irregularidade ou ingerência nas operações financeiras.
A prisão de Costa foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Paralelamente, o STF julga a manutenção das prisões preventivas de Costa e de outros envolvidos, como o advogado Daniel Monteiro. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, também preso, já iniciou negociações para um acordo de delação.