EUA e Europa divergem sobre futuro do dinheiro digital

Europa acelera euro digital enquanto EUA prioriza stablecoins. Entenda as diferentes abordagens e os impactos na política monetária e no futuro das finanças globais.

A Europa e os Estados Unidos divergem sobre o futuro do dinheiro digital, com a União Europeia (UE) avançando no desenvolvimento de seu euro digital, enquanto os EUA preferem criptomoedas privadas atreladas ao dólar, as stablecoins.

A administração americana vetou o desenvolvimento do dólar digital, vendo-o como uma ameaça à estabilidade financeira e à soberania. Em vez disso, os EUA aprovaram o Genius Act, uma regulamentação para stablecoins, buscando manter a hegemonia do dólar e incentivar seu uso como meio de pagamento.

Europa aposta no euro digital

Em resposta, a Europa decidiu acelerar o projeto do euro digital, iniciativa do Banco Central Europeu (BCE) lançada após o anúncio do Facebook em 2019 sobre a criptomoeda Libra. As autoridades europeias temiam o poder monetário que uma entidade privada pudesse adquirir.

A ameaça das stablecoins, majoritariamente ligadas ao dólar, e a incerteza em relação aos EUA como parceiro comercial impulsionaram a urgência europeia. O BCE planeja lançar o euro digital em 2029, com o objetivo de reduzir a dependência de sistemas de pagamento internacionais e oferecer uma alternativa aos ativos emergentes. O receio é a criação de um ecossistema monetário paralelo fora do controle dos bancos centrais, o que poderia afetar a política monetária.

Modelos distintos para dinheiro digital

Javier Molina, analista da eToro, explica que os EUA permitiram ao setor privado impulsionar o dólar digitalmente via stablecoins, enquanto a Europa prioriza o controle público sobre a infraestrutura monetária. O euro digital visa a soberania interna e a preservação do sistema, ao passo que o modelo americano foca na expansão de rede.

Entretanto, a capacidade de escala internacional do euro digital pode ser limitada sem um ecossistema privado competitivo. Bancos centrais europeus reconhecem o risco de ficarem para trás no desenvolvimento de stablecoins. Para explorar este mercado, instituições financeiras europeias como Caixabank, BBVA e Unicredit formaram o consórcio Qivalis para lançar uma stablecoin vinculada ao euro em 2026, com o apoio cauteloso dos bancos centrais.

Euro digital e stablecoins podem coexistir

As autoridades monetárias consideram que o euro digital e as stablecoins em euros não são mutuamente exclusivos e podem coexistir. O euro digital é visto como a versão digital do dinheiro físico para pagamentos do dia a dia, enquanto as stablecoins são concebidas para otimizar processos de pagamento em transações de maior valor, como operações interbancárias e comércio internacional. O BCE reconhece que stablecoins em euros, se bem projetadas e reguladas, podem trazer benefícios em casos de uso específicos, como pagamentos transfronteiriços, devido à sua programabilidade e liquidação instantânea.

A adoção da tecnologia blockchain pelas finanças tradicionais ganha aceitação em ambos os lados do Atlântico, com o setor financeiro apresentando avanços notáveis.

Fonte: Elpais

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