EUA negam acordo para descongelar fundos iranianos, diz fonte

Fonte iraniana afirma que EUA concordaram em descongelar fundos, mas Washington nega acordo sobre ativos congelados no Catar.

Uma fonte iraniana de alto escalão afirmou neste sábado (11) que os Estados Unidos concordaram em liberar ativos iranianos congelados em bancos estrangeiros. No entanto, um representante americano negou a informação.

A fonte do Irã descreveu a suposta medida dos EUA como um sinal de “seriedade” para alcançar um acordo com Washington nas negociações em andamento no Paquistão. Segundo a fonte, essa liberação de ativos era uma das exigências do Irã e que Teerã havia recebido a concordância americana.

A fonte, que solicitou anonimato devido à sensibilidade do assunto, informou à agência de notícias Reuters que o descongelamento dos ativos estaria diretamente ligado à garantia de passagem segura pelo estreito de Ormuz, um ponto crucial nas negociações.

O valor dos ativos que Washington teria concordado em descongelar não foi divulgado. Uma segunda fonte iraniana, contudo, indicou que os EUA aceitaram liberar US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 30,1 bilhões) em fundos iranianos congelados no Catar.

Fundos congelados há oito anos

Os US$ 6 bilhões, originalmente congelados em 2018, estavam previstos para serem liberados em 2023 como parte de uma troca de prisioneiros entre EUA e Irã. Contudo, os fundos foram novamente congelados pelo governo do ex-presidente Joe Biden após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, perpetrados pelo Hamas, grupo aliado do Irã.

Autoridades americanas declararam na época que o Irã não teria acesso ao dinheiro em um futuro próximo, ressaltando que Washington mantinha o direito de congelar a conta integralmente.

Os fundos originam-se de vendas de petróleo iraniano para a Coreia do Sul e estavam bloqueados em bancos sul-coreanos desde que o presidente Donald Trump reimpos sanções ao Irã em 2018, após abandonar o acordo nuclear entre potências mundiais e Teerã.

No âmbito da troca de prisioneiros EUA-Irã de setembro de 2023, mediada pelo Catar, o dinheiro foi transferido para contas bancárias no país. A troca envolveu a libertação de cinco cidadãos americanos detidos no Irã em troca da liberação dos fundos e da soltura de cinco iranianos detidos nos Estados Unidos.

Autoridades americanas informaram na ocasião que o dinheiro seria restrito a uso humanitário, destinado a fornecedores aprovados de alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e produtos agrícolas enviados ao Irã, sob supervisão do Tesouro dos EUA.

Navios no estreito de Ormuz.
Navios transitando pelo estreito de Ormuz.
Representantes iranianos em negociações.
Representantes iranianos em negociações.

Fonte: UOL

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