O conflito no Oriente Médio completou 42 dias nesta sexta-feira (10), marcando seis semanas desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A data foi definida pelo início das negociações entre EUA e Irã, que ocorrem em meio a tensões e incertezas sobre um cessar-fogo.



As delegações dos dois países chegaram a Islamabad, no Paquistão, onde devem se reunir neste sábado (11). Na quinta-feira, Donald Trump expressou otimismo, mas nesta sexta o presidente dos Estados Unidos elevou o tom, cobrando o Irã pela reabertura do Estreito de Ormuz. Trump declarou que a situação atual “não é o acordo que firmamos”.
Trump também afirmou que o Irã “não tem cartas na manga”, estaria realizando uma “extorsão de curto prazo do mundo” em referência ao Estreito de Ormuz, e que “a única razão de [os iranianos] estarem vivos hoje é para negociar”. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, alertou o Irã a “não brincar conosco”.
Autoridades iranianas mantêm a postura de cautela. O presidente do Parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, indicou que um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã devem ser cumpridos antes do início das negociações de sábado.
Líbano sob ataque e crise alimentar
Apesar dos protestos iranianos, Israel continua atacando o Líbano. Nesta sexta, o presidente Joseph Aoun informou que 13 funcionários da segurança estatal morreram em um ataque a um prédio do governo na cidade de Nabatieh, no sul do país. O Ministério da Saúde do Líbano já contabiliza 1.953 mortos.
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas alertou que o Líbano enfrenta uma crise de segurança alimentar devido à ofensiva de Israel. Sob protestos de libaneses, Israel e Líbano concordaram em se reunir em Washington, D.C., para negociar um cessar-fogo e um acordo de paz.
Estreito de Ormuz segue ponto central
O Estreito de Ormuz permanece no centro das discussões. Apesar do acordo de cessar-fogo, o Irã continua controlando rigidamente a passagem, e apenas navios de países aliados estão transitando pelo local.
Trump pressiona pela reabertura, e outros líderes mundiais buscam soluções para a passagem de petróleo por Ormuz, pois o bloqueio pode levar à escassez de combustível em aeroportos europeus em apenas três semanas. Para mitigar o problema, os EUA devem renovar a suspensão das sanções ao petróleo russo.
Mesmo com as movimentações, o petróleo fechou em queda nesta sexta-feira, aprofundando a baixa semanal inspirada pelo acordo de cessar-fogo e pela promessa de reabertura do Estreito de Ormuz.
Fonte: Infomoney