O governo dos Estados Unidos determinou que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho deixe o país. A decisão foi comunicada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, sob a justificativa de que o oficial teria tentado manipular o sistema de Imigração local.
Acusações e contexto do caso
Segundo as autoridades americanas, o delegado teria buscado contornar pedidos formais de extradição. A medida ocorre na sequência da prisão e posterior soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que enfrenta condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.
Em nota oficial, a embaixada dos EUA no Brasil afirmou que estrangeiros não podem utilizar o sistema de imigração para contornar trâmites legais de extradição. A entidade confirmou a solicitação formal para que o funcionário brasileiro deixe o território americano.
Trajetória profissional do delegado
Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação da Polícia Federal junto ao Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE), em Miami, desde agosto de 2023. A missão, inicialmente prevista para dois anos, havia sido prorrogada em março de 2025.
Com mais de duas décadas de carreira na corporação, Carvalho ocupou postos de relevância, como a superintendência no estado da Paraíba e a chefia da delegacia no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O oficial também foi delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo.
Posicionamento das instituições
Durante a detenção de Alexandre Ramagem pelo ICE, ocorrida no último dia 13, a Polícia Federal brasileira declarou que a operação foi fruto de cooperação policial internacional. Após a notificação de expulsão do delegado, a instituição não emitiu novas declarações oficiais.
O pedido de extradição de Alexandre Ramagem, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, permanece sob análise do Departamento de Estado norte-americano.
Fonte: Estadão